Um vigilante de uma instituição bancária, de 30 anos, foi preso depois de planejar um falso sequestro contra a própria família em Luz. Outro suspeito, que é o genro do vigilante, de 28 anos, também foi preso nesta quinta-feira (10). A prisão foi realizada pela Polícia Civil da cidade com apoio da equipe da Delegacia Especializada Antisequestro de Belo Horizonte.

De acordo com a Polícia Civil, que concedeu entrevista coletiva transmitida pela internet nesta sexta-feira (10), o crime registrado no dia 29 de junho foi enquadrado na modalidade "sapatinho" - quando ocorre extorsão mediante sequestro.

No entanto, comumente envolve um gerente bancário, segundo a polícia e, no entanto, neste caso, os investigadores foram informados que a vítima seria a família do vigilante do banco. As investigações começaram, então, a partir desta informação.

 

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História contada pelo vigilante

 

O delegado disse que as equipes da polícia chegaram à agência bancária e iniciaram entrevista ao vigilante e ele contou a versão dele em depoimento.

 

"Ele nos informou que na madrugada anterior teria sido surpreendido por dois sequestradores. E que esses criminosos o orientaram que ele seguisse a rotina normal no banco, enquanto sua esposa e filho ficaram na posse dos sequestradores até que ele conseguisse os valores que estariam no cofre do banco", disse o delegado de Luz, Vinícius Machado.

 

 

Durante as investigações, a polícia descobriu que no dia do sequestro o vigilante facilitou a entrada de um dos suspeito na agência. O suspeito estava com um vídeo onde aparecia a família do vigilante, a esposa e filho, sendo ameaçados por uma arma de fogo. No entanto, tudo fazia parte de uma armação.

 

"O vigilante contou que diante da situação o suspeito tentou fazer a abertura do cofre junto com a equipe do banco, mas o compartimento não abriu e a partir daí, sem sucesso na ação, ele pegou a arma do vigilante e fugiu do local", contou o delegado.

 

Essa foi a história contada pelo funcionário do banco à polícia, mas ela não convenceu os investigadores, que deram continuidade às diligências.

 

"Ele apresentou um desconforto que não é normal. Convidamos ele para nos levar a residência onde ele contou que havia sido rendido. Ele demonstrou muito mais nervosismo do que antes e já no local ele me contou que teve participação direta no crime", destacou o delegado.

 

 

Sequestro da família

 

Aos policiais, o vigilante contou que ele e o genro que é de Quartel Geral, haviam arquitetado o crime juntos, 15 dias antes da ação e que o genro dele é quem foi responsável por incluir mais três suspeitos no crime. Esses três envolvidos foram os sequestradores da família. Segundo a polícia nem a mãe e nem o filho sabiam de nada.

As vítimas foram levadas da cidade de Luz em um carro clonado, ocasião em que os suspeitos fizeram o vídeo. No entanto, após a abertura do cofre não ter sido efetivada mãe e filho foram liberados e os suspeitos fugiram. O veículo usado na ação foi localizado queimado em Abaeté, de acordo com o delegado. As vítimas do falso sequestro não sofreram nenhum dano.

 

Prisão do segundo envolvido

 

A prisão do segundo envolvido ocorreu no município de Quartel Geral, após diligências da Polícia Civil na região, nesta quinta-feira (9). O suspeito foi localizado por uma equipe de investigadores dentro de um tanquinho de lavar roupas.

Os dois suspeitos estão presos, à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que as investigações continuam na tentativa de identificar outros três suspeitos da ação.