Na madrugada desta quinta-feira (23), pessoas não identificadas destruíram parte do cerca de uma fazenda na região rural de Passos, cidade com cerca de 111 mil habitantes no Sul de Minas.

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Com isso, vários bois que viviam no local fugiram e, um deles, chegou à região urbana do município, feriu duas pessoas e foi sacrificado com quatro tiros disparados por policiais militares.

As cenas, porém, são retratadas de duas formas. A primeira, registrada em boletim de ocorrência pela Polícia Militar (PM), é de que todas as opções para que o animal não precisasse ser sacrificado foram tomadas.

A segunda, relatada pelo Movimento Mineiro Pelos Direitos Animais (MMDA), é de que houve crueldade na ação e que os agentes o mataram “da pior forma possível”, conforme alega o instituto em nota.

De acordo com a PM, o boi, que pesava aproximadamente 405 Kg, fez duas vítimas na cidade – um idoso de 70 anos, que sofreu uma cabeçada e caiu ao chão, e uma outra pessoa, cuja idade não foi informada, que foi atacada pelo animal e teve uma fratura no fêmur. Ambas foram encaminhadas para atendimento médico ressalta a corporação. 

“O dono do animal não conseguia amarrá-lo ao caminhão. Restaram pouquíssimas  opções para os militares, senão o sacrifício do animal”, alega a corporação.

O órgão afirma que foi feito contato com uma clinica veterinária para dar apoio à sedação do bicho, que procurou a Policia de Meio Ambiente e o Corpo de Bombeiros para captura e, ainda, tentou acionar um homem, funcionário da prefeitura de Passos, que é conhecido na cidade por ser “um laçador de animais de grande porte”.

A PM afirma que nenhuma das tentativas foi bem sucedida e, com o consentimento do proprietário do boi, precisou sacrificá-lo. 

O MMDA, por outro lado, afirma que o animal “já estava contido e protetores de animais contataram veterinários, mas nenhum tinha como manejá-lo”.

“Os policiais decidiram matá-lo ‘da pior forma possível’, segundo uma protetora que estava no local. Segunda ela, não fizeram o isolamento adequado, deram tiros de fuzil com muitas pessoas em volta”, diz o instituto.

A PM afirma que “tomou todas medidas de precaução”, e realizou os disparos com dispersão das pessoas e com apenas um terreno baldio ao fundo. 

"O ato configura um desserviço para a evolução de nossa espécie. A banalização da vida do animal diante da população contribui para seu embrutecimento e violência, conforme a Teoria do Elo", critica a coordenadora do MMDA, Adriana Araújo.

No boletim de ocorrência, porém, a PM informa que o proprietário “disse que tentou contato com veterinário particular, mas ele não compareceria e, por fim, o solicitou à policia que sacrificasse o boi”.

O dono do bicho afirmou, ainda, que passou a madrugada tentando recuperar o animal, junto a um laçador, mas que não teve sucesso. Tanto os bombeiros, quanto a PM afirmam que o boi estava agressivo e descontrolado.