"Evitamos falar de colapso, mas estamos próximos disso", afirmou o secretário Municipal de Saúde, Alan Rodrigo, nesta quarta-feira (10) durante uma coletiva com a imprensa que ele convocou para falar sobre a situação dos leitos para tratamento de Covid-19 em Divinópolis.

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A Prefeitura divulgou também que na quinta-feira (11) receberá a visita do secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, para avaliar e tratar da situação atual da pandemia na Macrorregião Oeste.

 

Leitos ocupados

 

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A demanda crescente por leitos em Divinópolis e toda região é a maior preocupação para a Secretaria de Saúde em Divinópolis. Segundo Alan Rodrigo, os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que atendem pacientes Não Covid - como são denominados os pacientes que tratam de outras doenças - estão lotados.

Nesta quarta-feira, 20 pessoas estão internadas em quartos de enfermaria e aguardam uma vaga de CTI. No Hospital de Campanha, a ala dos leitos de enfermaria já atingiu 100% de ocupação e restam poucos leitos de UTI.

 

"Hoje temos 20 pacientes da Macrorregião aguardado vaga. São 20 pessoas graves sendo atendidas em uma enfermaria até que apareça uma vaga de UTI para ela. Esse é o cenário. A gente evita usar o termo colapso, mas estamos próximos disso. Uma vez que, se os próprios leitos de UTI Não Covid já extrapolaram, se a gente extrapolar os leitos Covid, não teremos nem onde abrir mais leitos nesse momento", esclareceu.

 

 

Onda Roxa

 

O cenário descrito pelo secretário, no ponto de vista epidemiológico, colocaria Divinópolis na Onda Roxa do programa "Minas Consciente"; a etapa mais restritiva do programa, criada recentemente pelo Estado.

 

"A realidade condiz com a Onda Roxa, mas a decisão deve partir do Estado e deve ser determinada à Macrorreregião. A população de Divinópolis precisa se preparar, realmente, porque a gente está num cenário bem preocupante, mas a alocação da Onda depende do Governo Estadual", pontuou.

 

Mesmo em um momento em que o município se adequa à etapa mais restritiva do programa, a Secretaria de Saúde defende que a decisão não deve ocorrer de maneira unilateral, pois isso significaria um risco de alto fluxo de pacientes de outras cidades que, por ventura, não definissem pela mesma etapa.

 

"Se uma medida de tamanha restrição for tomada de maneira isolada por um município, pode ser um problema. Como o plano de ação é regional, isso pode não ser aderido pelos outros município da região e a agente pode acabar sofrendo um grande fluxo de pacientes trazidos para Divinópolis. Então a gente entende que tem que ser uma medida do governo", destacou.

 

 

Criação da Onda Roxa

 

No último dia 3 de março o Estado anunciou a criação da “Onda Roxa”, com medidas mais restritivas no programa Minas Consciente, que trata do plano estadual para conter os contágios do novo coronavírus. A onda proíbe a circulação de pessoas em determinados horários, com fiscalização rigorosa, e permite apenas o funcionamento de serviços essenciais. Cabe às prefeituras aderir ou não às recomendações do governo estadual no Minas Consciente.

As mudanças no Minas Consciente ocorrem pouco mais de um mês depois de o estado tornado as regras do programa menos rígidas. Desde o final de janeiro, todas as atividades estão autorizadas a funcionar, com protocolos e restrições diferentes em cada onda.

 

“Onda roxa é uma onda diferente das demais. Não é mais opcional aos prefeitos decidirem se eles vão aderir ou não. A adesão é impositiva para evitar o total colapso da rede de saúde”, explicou Zema.

 

Veja abaixo as medidas impostas pela "Onda Roxa":

 

  • Funcionamento apenas do serviço essencial
  • Suspensão de cirurgias eletivas
  • Restrição de circulação de pessoas (só poderão sair de casa para atividades essenciais)
  • Toque de recolher das 20h às 5h e aos finais de semana
  • Proibição de pessoas sem máscara em qualquer espaço público ou de uso coletivo, ainda que privado
  • Proibição de circulação de pessoas com sintomas de gripe, a menos que estejam indo para consulta médica
  • Proibição de eventos públicos ou privados
  • Proibição de reuniões presenciais, inclusive entre parentes que não morem na mesma casa
  • Implantação de barreiras sanitárias de vigilância
  • Fechamento de bares e restaurantes (funcionamento apenas por delivery)

 

São considerados serviços essenciais em Minas:

 

  • Alimentos, Agropecuária e Agroindústria (excluídos bares e restaurantes);
  • Serviços de Saúde (atendimento, indústrias, veterinárias, etc);
  • Bancos e seguros;
  • Transporte público;
  • Energia, gás, petróleo, combustíveis e derivados;
  • Manutenção de equipamentos e veículos;
  • Construção civil;
  • Indústrias (apenas da cadeia de Atividades Essenciais);
  • Lavanderias;
  • Imprensa;
  • Serviços de TI, dados, imprensa e comunicação;
  • Serviços de interesse público (água, esgoto, funerário, correios etc.).

 

Após o anúncio das mudanças, as macrorregiões do Triângulo do Norte e Noroeste de Minas Gerais foram inseridas na Onda Roxa por 15 dias. A macrorregião do Triângulo do Sul permaneceu na Onda Vermelha, mas segundo o governo estadual, é monitorada e pode ser inserida na mesma fase das outras duas regiões. As classificações das macrorregiões passaram a valer a partir no dia 6 de março.

Conforme o documento, os municípios podem adotar outras práticas ainda mais restritivas se necessário e estabelecer normas complementares às impostas pelo Estado. Em algumas cidades há, por exemplo, há a lei seca, que não é citada no Minas Consciente, mas que pode permanecer em vigência se essa for a decisão do Município.