O setor calçadista de Nova Serrana segue em recuperação da forte crise causada pela pandemia da Covid-19 e as entregas de encomendas, feitas às fábricas do município, apontaram um aumento de 30% em relação ao ano passado.
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Segundo o Sindicato das Indústrias Calçadistas (Sindinova), o percentual é resultado do trabalho de empresas que estavam com jornadas reduzidas, que voltaram a atuar com horário normal, e contratações que estavam estagnadas voltaram a ocorrer no setor neste ano.
Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) evidenciam a retomada do segmento ao apontar o saldo positivo de contratações nos últimos dois meses puxado pela indústria.
Segundo o presidente do Sindinova, Ronaldo Andrade Lacerda, no município há mais de 800 fábricas que trabalham a todo vapor para entregar a produção aos lojistas de todo estado e do país.
"Esse aumento de 30% já é uma realidade, pois as fábricas estão entregando as produções aos lojistas, que estão apostando de fato, nas vendas de dezembro. Quanto à nossa produção, o aumento é muito significativo, devido à altas demandas muitas fábricas não vão conseguir entregar as encomendas em sua totalidade, o que é a prova da recuperação que vem ocorrendo desde o início do ano em que tivemos avanços no combate ao coronavírus", destacou.
Crise e recuperação
Com cerca de 100 mil habitantes, Nova Serrana é um dos principais polos calçadistas de todo o estado e é responsável por contratações de trabalhadores na cidade e diversas regiões do estado, como o norte e nordeste.
Todos os meses o Caged evidencia que o município é um dos que mais contrata em todo o Centro-Oeste. Fica atrás apenas de Divinópolis, que, no entanto, tem mais que o dobro da população, com mais de 230 mil habitantes.
No entanto, com a pandemia, assim como em qualquer localidade, Nova Serrana amargou as quedas bruscas nas admissões e fechamento de empresas. Com isso, trabalhadores perderam postos de trabalho e há registros de empresas que não conseguiram se manter.
"Tivemos algumas fábricas que fecharam, mas foram poucas, pois diante do que foi oferecido pelo governo sobre a redução de jornada, muitas optaram por essa medida e conseguiram se manter no mercado. Houve redução de 50% a 70% da jornada de trabalho, além da suspensão de atividades e desligamentos. O que estamos vivenciando agora é essa retomada da jornada de trabalho ao normal e a recomposição de quadro de funcionários", explicou Ronaldo.
De acordo com Ronaldo, a recuperação de forma significativa começou aparecer entre os meses de agosto e setembro, com o avanço nas imunizações contra a Covid-19 e a ampliação das atuações de atividades comerciais, previstas na Onda Verde do "Minas Consciente", patamar em que se encontra o município. A reação positiva fez com a cidade encerrasse o período com quase mil empregos gerados.
Segundo o último levantamento do Caged, o fechamento positivo foi com o saldo de 887 empregos, referente a 1.861 admissões contra 974 demissões.
A indústria é a protagonista nas contratações. O mês foi encerrado com 1.413 admissões e 584 desligamentos. Saldo de 829 novas vagas.
Otimismo
A fábrica de calçados da empresária Ana Cláudia Caldas produzia em média 200 pares de calçados semanalmente e agora chega a produzir mais de 300.
“Nesse segundo semestre tivemos uma procura maior e já aumentamos a produção. Não era uma época que a gente aumentava a demanda, dessa vez foi muito alta e tivemos que aumentar em 25%”, destacou a empresária.
Para esse novo momento na fábrica de Ana Cláudia, foram contratadas mais quatro pessoas para que ela consiga entregar a demanda contratada.
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