Ter um espaço ao ar livre e promover contato com a natureza, sobretudo, com a presença de animais, é fundamental para o desenvolvimento de aspectos psicomotores e sociais de crianças, segundo especialistas. Pensando exatamente nesse desenvolvimento, escolas particulares e públicas de Divinópolis têm inserido animais de diversas espécies no convívio diário dos alunos.

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Se antes era uma iniciativa das escolas ter a presença desses animais, desde 2019 é recomendação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). E na prática, tem funcionado para ensinar não só sobre os bichinhos, mas também sobre responsabilidades, como aponta a pedagoga e diretora da Escola Agogê, Kênia Apolinário. Na escolinha particular onde ela é responsável, o contato direto com os animais já existe há seis anos.

 

"Desde 2019 que a BNCC coloca como sugestão esse contato com a natureza, convívio com os animais, que é muito importante, ajuda no desenvolvimento social, desenvolvimento pedagógico, afetivo. É nesse momento que as crianças adquirem autonomia, responsabilidade e cuidado. Além disso há uma troca de carinho genuíno entre os animais e as crianças. Na nossa escola, esse projeto existe há seis anos", contou Kênia.

 

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Diversidade de animais

 

O primeiro animal adquirido pela escola para o convívio com os alunos foi o coelho Geroge, que é até hoje o mascote da unidade. Ao perceber a evolução dos alunos, que se dividiam em turmas para cuidar do coelhinho, Kênia e a equipe, não pensaram duas vezes e começaram a inserir mais bichinhos no espaço.

 

"Hoje as crianças convivem com galinhas, patinhos, porquinho da índia e todos eles são muito bem cuidados. A cada dia uma turma cuida de um bichinho e isso contribui para todos os requisitos de desenvolvimento das crianças", pontuou.

 

Aspectos sociais

 

As moradias cada vez mais mais verticalizadas e o contato com a natureza cada vez mais escasso, são fatores que estimulam ainda mais o interesse das crianças pelos bichos. A cabeleireira Amanda Lopes, mora em um prédio com o marido e o filho João Lucas, de 5 anos. Sem nenhum espaço de contato com a natureza, ela agradece os momentos ao ar livre que a escola proporciona ao filho.

 

"Uma vez ele chegou muito animado que tinha conhecido um coelho na escola e eu fiquei muito feliz ao ver a empolgação dele. Morando em prédios, ambiente totalmente fechado é muito difícil proporcionar o contato com a natureza e quando a escola oferece isso, seja com passeios pelo jardim, piqueniques e mesmo o contato com animais, fico muito aliviada e feliz", disse.

 

 

Animais em escola pública

 

No Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Hbert de Souza, o projeto com animais também existe há bastante tempo. Por lá as descobertas no convívio com os bichinhos ocorrem diariamente.

 

"No decorrer do ano, nos projetos, a gente aproveita muito a presença dos animais, totalmente inseridos no contexto do currículo da educação infantil. As crianças descobrem aprendem a conviver cuidar, descobrem semelhanças diferenças", disse a pedagoga e diretora administrativa, Elizabeth Teles Vaz.

 

Na unidade, um jabuti e a tartaruga estão estão presentes há oito anos e já ensinaram muito pra meninada. "Eu aprendi que a tartaruga gosta de alface e outras frutas", disse a aluna Lívia Santiago, de 4 aninhos.

 

Análise de uma psicóloga

 

g1 pediu à psicóloga Mariana Santos para avaliar a presença dos animais nas escolas, quanto ao desenvolvimento dos alunos. Segundo ela, é tão importante, que pode até influenciar na formação de personalidade.

 

O conceito de desenvolvimento de uma criança é amplo, mas sempre estará atrelado à transformação contínua que passa por seus familiares, educadores e demais pessoas do convívio social. Da mesma forma ocorre com os ambientes onde essa criança circula, portanto, ter esse contato com a natureza e animais nos primeiros anos de vida é fundamental. O desenvolvimento sobretudo, afetivo é fator que norteia inclusive, a formação de personalidade dessa crianças”, destacou a psicóloga Mariana Santos.