Divinópolis registrou 37 tremores de terra até 28 de dezembro de 2022 e é a cidade com mais incidências em Minas Gerais. Em todo o estado, de 1º de janeiro até esta quarta-feira, foram 82 registros. Os dados foram levantados  junto ao Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

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Do total anual, 32 tremores ocorreram em janeiro, quatro em fevereiro e um agosto. O de maior magnitude na Escala Richter foi 3.0 em janeiro e o menor 1.6, no mesmo mês.

Em janeiro, o g1 conversou com o especialista do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), Jackson Calhau, sobre os tremores registrados na cidade. Na época, Jackson ressaltou que não era possível prever novos registros e se haveria aumento de magnitude.

Porque os tremores não são percebidos em algumas partes da cidade?

 

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Em algumas partes da cidade as pessoas sentem mais os abalos e em outras sentem menos. Jackson explicou essa situação.

 

"Isso é devido à proximidade ao epicentro. As pessoas que estão na parte norte e nordeste da cidade estão sentindo mais porque estão mais perto das fraturas onde estão acontecendo os tremores", esclareceu Jackson.

 

Relatório da USP

 

Os tremores de janeiro apontavam que o epicentro estava localizado próximo ao Bairro Candidés, segundo relatório divulgado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Na época, o órgão disse que recebeu mais de 500 relatos da população o que permitiu estimar a localização do epicentro.

Considerado o histórico da região referente a abalos sísmicos, os tremores que ocorreram em Divinópolis são considerados normais.

 

"Não há razão para acreditar que não se trate de atividade sísmica natural, sem relação com atividade exploratório de pedreiras ou com enchimento rápido do reservatório de Gafanhoto. Possível relação com chuvas intensas no último mês é pouco provável e muito difícil de comprovar. O padrão de tremores ocorrendo durante vários dias ('enxame' de sismos) não é incomum", consta no relatório.

 

O relatório destaca que sismos de magnitude 3,0 são muito comuns no Brasil e em Minas Gerais. O estado já presenciou sismos de magnitudes bem maiores na cidade de São Francisco, em 1931, e Itacarambi, em 2007, no norte do estado. Ambos com magnitudes 4,9 e intensidades máximas de VI e VII MM (trincas e rachaduras em paredes).

A USP acredita que essa série de tremores em Divinópolis parece fazer parte de uma zona de sismos mais frequentes que inclui o Quadrilátero Ferrífero.

 

 

"Sismos naturais são totalmente imprevisíveis e não é possível saber até quando a atividade continuará, se as magnitudes vão diminuir ou se vão aumentar."

 

 

Causas

 

Segundo a USP, tanto em Minas Gerais como em outras partes do Brasil, os tremores de terra naturais ocorrem por deslizamento repentino em falhas ou fraturas geológicas causado pelo acúmulo de tensões geológicas ("pressões internas") a que a crosta está submetida. Estas tensões se devem às forças tectônicas que movem a placa Sul-Americana. Não há uma relação clara entre a sismicidade e as feições geológicas de grande escala.

A quase totalidade das falhas geológicas mapeadas em superfície são muito antigas (a maioria do período paleozóico ou mais antigas) e já estão "cicatrizadas" não representando mais potencial de sismicidade. A grande maioria dos tremores de terra no Brasil ocorre em pequenas fraturas geológicas.

No caso desta série atual de sismos em Divinópolis, análise dos sismogramas mostra que todos os eventos estão ocorrendo numa única fratura da crosta superior, com tamanho de poucas centenas de metros. A diferença de alguns quilômetros entre os epicentros instrumentais se deve às incertezas de localização.

Em alguns casos raros, os tremores podem ser "disparados" por outros fatores, como por exemplo, pelo enchimento de um grande reservatório hidrelétrico. Em Minas Gerais, vários reservatórios grandes (como Nova Ponte e Miranda, no Triângulo Mineiro, e Irapé, no Vale do Jequitinhonha) já provocaram tremores, chegando à magnitude 4.

O reservatório de Cajuru, a 20 km de Divinópolis, também teve muita atividade sísmica na década de 70, com magnitude máxima de 3,7 em janeiro de 1972. Há também casos raros de tremores induzidos pela mineração.