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Médico investigado por mortes de recém-nascidos em Formiga será impedido de atuar

Foto: Reprodução

A Justiça determinou que o médico envolvido nos partos de dois recém-nascidos que morreram na Santa Casa de Formiga fique impedido de atuar em qualquer órgão público da cidade. O fato foi confirmado pelo delegado regional da Polícia Civil, Irineu José Coelho, e pelo delegado à frente das investigações, Ricardo Bessas, nesta sexta-feira (3).

As investigações começaram em março. Na ocasião, a Santa Casa afirmou que instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos. Ainda em março, a unidade informou que o médico pediu afastamento de cargo até o final de todas as investigações.

Conforme a decisão proferida pela juíza Lorena Teixeira Vaz, da 1ª Vara Criminal de Formiga, nesta sexta-feira, o médico fica impedido de exercer a profissão em qualquer órgão público de Formiga e tem uma fiança estabelecida em R$ 50 mil em caso de futura condenação para ressarcimento de danos.

A decisão também afirma que o médico deverá comparecer perante às autoridades sempre que for intimado e que ele não pode se mudar de residência, ou se ausentar da residência por mais de oito dias, sem comunicar o fato à Justiça.

Caso as condições citadas sejam descumpridas, a decisão afirma que o médico terá a prisão preventiva decretada.

O delegado Ricardo Bessas afirmou apenas que a decisão judicial é oriunda de um pedido dele.

 

Os casos

A Polícia Civil afirmou em março que instaurou inquérito para investigar a morte de dois recém-nascidos na Santa Casa de Formiga.

De acordo com a dona de casa Alessandra da Silva, mãe de um dos recém-nascidos que morreram na Santa Casa de Formiga, ela fez todo o pré-natal na instituição e nenhum problema foi diagnosticado. A dona de casa começou a sentir contrações, mas estava com dificuldade em ter o parto normal. Mesmo assim, segundo ela, os médicos optaram por não fazer a cesárea.

“Falou [o médico] que eu era gorda, estava obesa e não podia fazer a cesárea porque poderia pegar uma infecção, uma bactéria por causa da gordura, aí ele [médico] não quis fazer a cesárea", explicou Alessandra.

Segundo o marido de Alessandra, Alessandro Menezes, a cesárea só foi feita após a família fazer um boletim de ocorrência e ele foi proibido de acompanhar o parto.

"Na porta eles me barraram, não podia entrar. Que só eles [equipe médica] poderiam acompanhar no momento, eu não poderia. Disseram que assim que nascesse iriam me chamar. Eu achei aquilo estranho", disse o pai da bebê.

A menina nasceu com 53 cm e pesando 4,6 kg. No entanto, Alessandra só teve notícias da filha no dia seguinte, após a troca do plantão da equipe médica. Ela não conseguiu ver a filha no hospital.

"Eu fui ver ela [bebê] na sexta-feira no velório. Aí que eu fui ver ela dentro do caixãozinho. No hospital eles não deixaram eu ver, ela não chorou, não mamou, não fez nada. Eles já saíram com ela correndo e não deixaram eu ver ela dentro do hospital", falou a mãe.

Entre as causas da morte apontadas pela necropsia, estão a falência múltipla de órgãos, distúrbio de coagulação e asfixia perinatal grave.

O médico responsável pelo parto de Alessandra é o mesmo responsável pelo parto do segundo filho da funcionária pública Simone Antônia Pinto, cujo bebê morreu após o nascimento na unidade hospitalar.

De acordo com Simone, ela começou a sentir contrações no oitavo mês de gestação, mas ao chegar na Santa Casa foi informada que não poderia fazer a cesárea, pois estava com infecção. Ela afirmou que ficou três dias internada na unidade sem que os médicos contassem qual era o problema.

Após começar a ter sangramentos e os médicos encontrarem dificuldades para ouvir o coração do bebê, é que a cesárea foi feita. Ela recebeu a notícia da morte do filho ainda no centro obstétrico da unidade.

"Falaram que foi devido a uma infecção que eu dei, mas não tive nem febre. Eu estava com 36,5º, 37º e não tinha febre; [diagnóstico] seria um infecção e ele [bebê] teria que nascer normal", contou Simone.

O recém-nascido ficou um dia na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neo Natal da Santa Casa e não resistiu. A necropsia apontou sofrimento fetal agudo, prematuridade, parada cardiorrespiratória em sala de parto e insuficiência renal aguda. A mãe afirma que só recebeu o diagnóstico do médico após o óbito do bebê.

"O neném não resistiu. Depois de meia hora que ele [médico] voltou e falou que conseguiram reanimar ele [bebê]. Minha bolsa não estava rompida, estava deslocada. Só que eles não me contaram e me deixaram lá".

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