Crise

Jovem perde pedaço do dedo ao ser atacada pelo namorado em crise de ‘terror noturno’

Foto: Reprodução

Parte da imprensa internacional repercute, ao longo dos últimos dias, um caso que mais parece ter saído de algum filme hollywoodiano. Uma jovem de 26 anos teve parte do polegar da mão esquerda arrancada pelo então namorado que a mordeu durante uma crise do chamado “terror noturno”, um distúrbio do sono que atinge cerca de 5% da população mundial.

De acordo com o The Sun, a australiana Sage Noreika passava férias na Itália com o então namorado, que não teve o nome revelado, quando tudo ocorreu. Ela morava na Inglaterra e os dois se conheceram por lá. Depois de algum tempo de relacionamento, resolveram passear juntos. Foi um longo dia na praia e, após jantar, o casal foi dormir normalmente. Até que o inesperado ocorreu. A jovem acordou assustada com o rapaz gritando desesperado.

“Eu consegui distinguir a sombra dele correndo pelo quarto. Ele se debatia contra os móveis e gritava, parecia que estava sendo assassinado”, contou a jovem. Ela disse ter tentado acalmá-lo para que voltasse para cama, mas não obteve sucesso e, em determinado momento, foi atacada pelo namorado. “Ele se lançou contra mim e, instantaneamente, minha mão esquerda começou a arder de dor. Ele me levantou da cama e me jogou contra a parede”, relata. “Alguns segundos depois, eu gritei de agonia. Minha mão estava pulsado. ‘Ele me mordeu?’, ‘como meu doce namorado poderia me machucar?’ eu pensei enquanto ele esmagava coisas no banheiro”, conta.

Sage explica que o namorado voltou a si minutos depois e que não tinha ideia do que havia ocorrido. “O que eu fiz?”, teria dito o rapaz ao vê-la em uma poça de sangue. Ela faz questão de frisar que ele “não era um monstro” e que a ajudou em outras ocasiões, além de tratá-la bem durante o namoro. “‘Eu nunca te machucaria, você sabe o quanto eu te amo’, ele gritou me abraçando”, disse. “‘Eu sei que você não quis fazer isso’, eu disse”, afirmou.

Depois de passado o susto, outra surpresa: Sage e o namorado procuraram pela parte do polegar arrancado e não a localizaram. Foi então que perceberam que o rapaz havia o engolido, em ato contínuo à mordida. Já no hospital, médicos pensaram que a jovem havia sido atacada por um cachorro e eles tiveram que explicar a situação. Sage recebeu antibióticos e analgésicos, deixando o local com a mão enfaixada. Ela também precisou passar por uma cirurgia plástica no dedo, que ficou 2 centímetros menor do que era antes.

A jovem explicou que ela e o namorado procuraram pelo que havia ocorrido com eles na internet e encontraram a expressão “terror noturno”. O rapaz pediu milhares de desculpas e aceitou procurar um médico. Sage continuou a namorá-lo por algum tempo, mas o medo de que fosse novamente atacada fez com que os dois rompessem. “Eu sabia que não era culpa dele, mas infelizmente era demais para nós dois e acabamos nos separando”, explicou.

Terror noturno

O terror noturno, assim como o sonambulismo, é chamado de parassonia. É um transtorno do sono não-REM (sono mais profundo do início da noite). Ele é caracterizado por gritos durante o sono acompanhado do semblante de terror, como se a pessoa estivesse vendo algo assustador durante o sono.

A condição é mais comum em crianças, mas também pode afetar adultos. Nos pequenos, esses episódios costumam ocorrer na primeira metade da noite e têm duração de 1 a 3 minutos. Raramente a criança se lembra do episódio pela manhã. Geralmente acomete crianças e adolescentes de 3 a 12 anos, são raros e tem igual frequência em meninos e meninas. Em geral, esses episódios desaparecem na adolescência.

O terror noturno costuma acometer outros membros da família, mas não está associado a doenças mentais. A frequência dos eventos é muito variável entre as crianças, podendo ser semanal ou mensal. Mesmo os episódios raros provocam preocupação nos pais, devido a sua intensidade.

A maioria das parassonias não necessita de tratamento, somente um ambiente seguro de sono para a criança. No entanto, o terror noturno pode necessitar de tratamento se a criança e/ou os pais não dormirem tempo suficiente ou se houver risco à segurança da criança.

O terror noturno frequentemente é confundido com pesadelos. Uma criança que acorda de um pesadelo está consciente e relata uma história de um sonho assustador, muitas vezes com detalhes. No terror noturno a criança pode verbalizar, mas permanece dormindo. A criança com terror noturno não se lembra dos eventos na manhã seguinte. O horário também ajuda a diferenciar, pois os pesadelos são fenômenos do sono REM (estágio do sono dos sonhos) e costumam ocorrer na segunda metade da noite, enquanto o terror noturno acontece na primeira metade da noite.

O despertar confusional é outro tipo de parassonia que pode confundir com terror noturno. Durante o episódio de despertar confusional, a criança apresenta confusão mental enquanto está na cama. Não há comportamento de medo, terror ou andar. Não se observa suor profuso ou respiração e batimentos cardíacos acelerados.

Diversos fatores contribuem para aumentar a frequência dos episódios de terror noturno, tais como: privação de sono, cansaço extremo, estresse, febre, dormir em local não familiar, sons, luzes e bexiga cheia. Outros problemas de saúde podem estar associados e/ou piorar o terror noturno: apneia obstrutiva do sono, síndrome das pernas inquietas, enxaqueca, trauma de crânio e algumas medicações.

A presença de complicações é um alerta para iniciar o tratamento. A família pode relatar sonolência excessiva durante o dia, dificuldades na escola, notas baixas ou problemas em executar atividades da vida diária. Pode ainda ocorrer conflito entre os membros da família, vergonha dos episódios de terror noturno, ou pode acontecer da criança e outras pessoas se machucarem.

Caso os eventos sejam raros, não há necessidade de tratamento. Durante o episódio não há muito que fazer, o melhor é esperar – os pais podem conter a criança gentilmente na cama, falar calmamente e aguardar passar. Chacoalhar ou gritar com a criança pode piorar o evento.

O tratamento é recomendado quando há sintomas diurnos ou risco à segurança da criança. É importante tratar alguma doença associada, como a apneia obstrutiva do sono. Os hábitos do sono devem ser ajustados para evitar privação de sono, ou seja, horários regulares de dormir e acordar sete dias por semana e evitar atividades ou alimentos estimulantes após o anoitecer. Se ansiedade e estresse forem problemas relevantes, recomenda-se consultar um especialista. Medicações raramente são prescritas no terror noturno, mas quando necessário, obtêm-se bons resultados com os benzodiazepínicos.

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