Importante fonte de buscas por informação, a internet tem transformado a rotina nos consultórios médicos. É cada vez mais comum, conforme os profissionais da saúde, o paciente buscar atendimento já com um “autodiagnóstico” da suposta doença, feito a partir de pesquisas na web, baseadas nos sintomas que apresenta. A conduta, no entanto, gera perda de tempo, custos e atraso no tratamento e até na cura do real problema.

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É o que alerta o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), Bruno Naves. “Porque viu em um site, o enfermo se autoexamina e solicita exames desnecessários”, diz. O especialista, que irá ministrar palestra sobre o tema na feira Expo-Hospital Brasil, em Belo Horizonte, afirma que o uso da ferramenta demanda cuidado, e as descobertas a partir das buscas on-line não devem ser tomadas como verdades de forma indiscriminada.

Confiança 

Com um diagnóstico mentalmente construído, o doente chega até a questionar o conhecimento técnico de quem realmente entende do assunto. Segundo Naves, essa postura fragiliza a relação entre médico e paciente, que deve ser embasada na confiança.

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“Assim como o profissional deve desenvolver empatia, tirar dúvidas e debater as possibilidades, a pessoa precisa estar disposta”, acrescenta o secretário do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), Flávio Guerra. Segundo ele, é essencial que o especialista da saúde saiba ouvir, entender o histórico e a fragilidade de quem procura atendimento. “Para, então, promover uma boa experiência a ambas as partes”. 

Slow medicine

Diálogo e respeito, inclusive, são as premissas do movimento “slow medicine”, que preconiza o atendimento médico sem pressa, ao invés de conversas rápidas com poucas explicações e muitas receitas de medicamentos e exames.

Um dos defensores da prática, o geriatra José Carlos Aquino de Campos pontua que o consultório também é lugar para estreitar laços e que a impessoalidade interfere no sucesso do tratamento. “Os hábitos e as condições sociais não são quadros clínicos e ditam sobre a adesão à prescrição”.