Geziane Buriola da Silva, de Campo Novo do Parecis (MT), sofreu a dois anos uma tentativa de feminicídio pelo ex-marido. Com um facão, ele decepou suas mãos, além de esfaqueá-la na cabeça, nos ombros, no pescoço e nas nádegas. Seu sonho é poder ter as próteses para conseguir retomar a sua vida. Por isso, criamos a vaquinha na VOAA.
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Eu não consigo fazer as coisas simples do dia a dia, como pentear o cabelo, fazer minha comida, é muito difícil viver assim. Os vizinhos e os meus filhos me ajudam”, relatou Geziane.
Desde o crime, ela passou por um longo período de recuperação, ficou 20 dias na UTI. Hoje, não consegue trabalhar, vive de doações e conta também com um salário mínimo referente a uma aposentadoria, que usa para pagar o aluguel, as contas básicas, além de ajudar a mãe que cuida dos seus filhos de 13 e 8 anos.
Para ajudá-la, fizemos orçamento das próteses, conseguindo chegar num modelo que seja de qualidade e eficiente para ela no dia a dia.
“As próteses são caríssimas, eu cheguei a comprar uma de plástico, não conseguia usar, e ela quebrou facilmente. Eu preciso de uma que seja mais flexível, que realmente me ajude nas atividades diárias”, contou.
A tentativa de feminicídio
Esse crime terrível ocorreu no dia 10 de abril de 2017. Recentemente o ex-marido, Jair, foi condenado a 15 anos de prisão.
“Ele planejou tudo. Há cinco dias ele amolava a faca. Foi do nada. Foi um dia terrível”, disse. “Queria cortar o meu pescoço, na hora, coloquei as mãos na frente e consegui fugir, pedi ajuda para os vizinhos.”
Hoje, ela optou por morar sozinha, os filhos, um de 13 e outro de 8 anos, moram com a mãe dela. “Eu tenho que aprender a me virar, mesmo com as minhas limitações. Está sendo muito difícil, eu me queimo sempre quando faço comida”, relatou.
As próteses para Geziane
Durante um mês, orçamos as próteses para ajudar a Geziane. Através de uma empresa de Cuiabá (MT), conseguimos definir o valor da vaquinha e o modelo ideal e acessível para a realidade dela. As próteses para amputação de antebraços esquerdo e direito serão do modelo Myofacil da marca Ottobock com a empresa Propedia Órteses e Próteses de Cuiabá (MT) que nos ajudou com as informações. É uma prótese mioelétrica que possibilitará a ela um elevado ganho de independência.
“O controle da prótese Myofacil é através de sinais elétricos. Tais sinais podem ser medidos na superfície cutânea, quando o usuário contrai determinados músculos da antebraços. Sensores na forma de eletrodos localizados no encaixe captam esses sinais, realizando sua conversão para controlar o motor que movimenta a mão. Assim, o usuário pode abrir e fechar a mão”, informa o documento que recebemos da empresa de Cuiabá.
Além das próteses, serão compradas mais três luvas de silicones no valor de R$ 1.500 cada uma, que são essenciais para proteger a peça em casos de lavar uma louça, por exemplo.
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