Quando a estudante de Relações Internacionais, Fernanda Carolina Alves Cabral, de 21 anos, resolveu pedir emprego no semáforo de um dos principais cruzamentos de Uberlândia, ela não poderia imaginar que, três meses depois, estaria contratada por uma multinacional francesa.

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Foi na porta do prédio onde fica a empresa, em um conglomerado empresarial no Setor Sul da cidade, onde encontramos Fernanda, vestida com roupa executiva, semblante sereno e usando crachá – ao invés do cartaz – que comprova a efetivação no novo cargo administrativo.

 

"Depois do fundo do poço, a estrada só leva para cima", definiu a jovem em metáfora no início da entrevista sobre o que ela sente no momento.

A história começou quando, no dia 13 de junho, na movimentada Avenida Rondon Pacheco, na esquina com a Avenida João Naves de Ávila, a ação inusitada foi fotografada e viralizou. 

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A divulgação da imagem por um homem que passava pela avenida sensibilizou em um dia pelo menos 20 empresários e, nas semanas seguintes, ela recebeu diversas propostas, além de mensagens de apoio e empatia de quem admirou a atitude.

Pensando alto...

No entanto, como ela própria contou ao G1, a estudante não queria se aventurar em qualquer vaga e percebeu que poderia ir além. Fernanda disse que a preocupação inicial com as dívidas foi redirecionada para uma oportunidade que indicava conquistas maiores do que apenas a quitação dos débitos.

“A imensa exposição a qual me propus deveria ter uma razão de ser, principalmente quando vi o resultado rápido. Foi aí que percebi que não queria aceitar um trabalho que apenas resolvesse meu problema do momento, mesmo com as dívidas e a necessidade do dinheiro. Foi difícil dar a 'cara a tapa', mas depois colhi os frutos e decidi, orgulhosa, que iria capitalizar isso para a vida".

Com esta estratégia, ela recusou algumas ofertas de emprego que, segundo a jovem, não a levariam a voos mais robustos. Agora, Fernanda é oficialmente auxiliar administrativa da empresa sediada na França e que atua em 19 países.

 

“Quando notei que a ação foi bem sucedida, decidi escolher algo que pudesse me gerar perspectiva. E foi o que ocorreu. Estou agora em uma multinacional, contratada, e com perspectiva de ir para a França em alguns anos, e seguir a carreira na minha área, que é meu sonho”, comemorou.

 

 

A contratação

Visto por alguns como um ato de desespero, a estratégia de Fernanda se mostrou sólida e virou exemplo de um desfecho de sucesso. Mais do que isso, ela soube capitalizar uma ferramenta que está aliada ao networking: a força das redes sociais.

“Depois do dia do cartaz, fiz entrevistas em dez lugares, até que recebi o contato de um gerente de recrutamento de São Paulo que ficou sabendo da história pelo LinkedIn. Depois de duas entrevistas e um processo seletivo, fui contratada. O que mais me anima é o fato de a empresa ter planos de atuação fora do país, que é justamente o objetivo final do meu curso”, explicou.

 

Segundo ela, a faculdade está agora garantida enquanto estiver no emprego. "Agora, posso pagar os estudos, tenho perspectiva na área e ainda posso me programar para estudar línguas", acrescentou.

 

Iniciativa

Após a ação no semáforo, o resultado da busca de Fernanda foi tão rápido que no mesmo dia ela já havia participado de duas entrevistas em empresas de Uberlândia. Ela conta que teve a ideia inspirada em história semelhante e que, "bem no fundo", pensou que a situação pudesse viralizar.

"Estava há três meses sem trabalhar e com dificuldades de pagar a faculdade. Enviei vários currículos pela internet e não tive nenhum retorno. Vi que uma mulher em outra cidade também foi para uma avenida bem movimentada com o cartaz pedindo oportunidade de emprego e conseguiu. Então, resolvi fazer isso também", lembrou.

Registro da foto

Parte dos resultados que ela já teve com essa ação se deve à foto feita pelo empresário Pablo Massa da Costa, de 41 anos, que passava pela Avenida Rondon Pacheco no momento em que a jovem segurava o cartaz. Na época, ele falou ao G1 sobre a ação.

 

"Normalmente, a gente vê pessoas com cartazes pedindo dinheiro ou vendendo alguma coisa. Eu achei que ela estava pedindo dinheiro. Mas me chamou a atenção porque estava bem vestida. Quando vi que ela estava pedindo emprego, pensei em ajudar".

 

Fernanda tem previsão de concluir a universidade em 2023 e quer se tornar uma executiva da área. "Acredito que este gatilho foi talvez uma atitude relativamente simples, mas que muitas pessoas não têm coragem. Por isso, quando olho para o futuro, não tenho mais medo de arriscar", completou a jovem.