A pandemia global do novo coronavírus pode impactar muito mais do que imaginamos. A cidade de São Tiago, no Sul de Minas, conhecida como a terra do “café com biscoito”, devido a grande quantidade de fábricas de biscoitos no município, está completamente trancada e isolada para evitar a propagação do novo coronavírus.
📲 Siga a página do Tapiraímg TV no Instagram
Sem nenhum caso registrado até o momento, a cidade conta apenas com um respirador na unidade de saúde. “Temos que manter o controle porque, se alguém adoecer, vai morrer”, afirma o prefeito, Denilson Reis (PSDB).
Localizada a 187 Km de Belo Horizonte e com cerca de 11 mil habitantes, o prefeito afirma que a cidade não tem condições de lidar com o Covid-19. “Nós temos apenas um respirador comum, que todo hospital pequeno tem. Com esse respirador, antes da pandemia, achávamos que estávamos no primeiro mundo. Agora não podemos ter doentes. Não podemos ter o vírus na cidade, senão não teremos condições de atender e as pessoas vão morrer”, afirma.
Para evitar a circulação de pessoas na cidade, as entradas de São Tiago foram fechadas com areia. Apenas o acesso principal foi mantido. Ainda sim, no local foi montada uma base sanitária, onde agentes colhem informações sobre quem acessa a cidade e o local para onde está indo. Quem não morar no local, ou não estiver indo para a casa de parentes não pode entrar na cidade.
“Nós pegamos os contatos de todos os moradores da cidade e estamos determinando que as pessoas que chegam fiquem em quarentena por sete dias. E vamos monitorando, ligando para as pessoas, perguntando onde foram e se estão com sintomas”, explica o prefeito.
Um acordo entre os produtores de biscoito e a prefeitura fez com que a fabricação do principal produto da cidade seja interrompida. “A partir de terça-feira (24), a cidade vai estar completamente parada”, diz Denilson.
Em conversa com o BHAZ, o prefeito afirma que medidas mais drásticas serão tomadas nos próximos dias. “Eu conversei com as empresas de ônibus intermunicipais e suspendi o transporte. Tem uma empresa que faz o trecho Belo Horizonte – São Tiago, só vai sair um ônibus daqui, na próxima quinta. E não estará permitida a entrada de coletivos vindos de BH para o município”, diz.
O mandatário ainda oriente que cidades pequenas façam o mesmo em Minas. “Acho que pequenas cidades precisam fazer isso, precisam ter controle. Ainda há tempo de salvar pequenas cidades”, orienta.
Estado de Calamidade
O governador Romeu Zema (Novo) decidiu fechar as divisas de Minas Gerais como medida para evitar o avanço da Covid-19. Em pronunciamento na tarde da última sexta-feira (20), ele anunciou que, a partir da próxima segunda-feira (23), estão proibidas a entrada e saída de ônibus e trens de passageiros de Minas. A medida deve passar a valer para aeroportos também. No entanto, para que isso ocorra, o governador aguarda uma autorização nacional.
Além disso, Zema estendeu a medida de fechamento de comércios – a mesma tomada pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) em BH – para os 853 municípios do Estado. Com isso, a partir da próxima segunda, a cena de cidade vazia, que se estabeleceu em BH nesta sexta, será cenário em todo o Estado.
“A questão dos comércios visa restringir circulações de pessoas e impedir que corona se dissemine na velocidade em que está. O que está em cheque uma questão maior que são as vidas das pessoas. O comércio será fechado, exceto aqueles de primeira necessidade”, afirma Zema.
Em