Minas Gerais

Denúncia anônima leva governo de Minas Gerais a investigar mortes por suspeita de coronavírus

Foto: Reprodução

A Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES) vão investigar uma denúncia anônima de que uma funerária em Belo Horizonte teria recebido corpos com atestados de óbito que levantariam suspeita de novos casos de coronavírus.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, policiais foram neste domingo (22) até a funerária Zelo, no bairro Nova Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, checar a informação de que a funerária teria recebido dezenas de corpos suspeitos.

Ainda segundo o boletim, o gerente da funerária Sérgio José da Silva disse que em um período de 72 horas cerca de 73 cadáveres chegaram ao estabelecimento. Destes 23 teriam atestados de óbito com causas como “insuficiência respiratória aguda”, “pneumonia crônica” e “pneumonia aspirativa”. Além disso, todos com faixa etária entre 50 e 90 anos de idade.

O secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Pereira da Silva, não acredita que as mortes sejam causadas por coronavírus, mas decidiu abrir uma investigação.

 

“É muito difícil de acontecer, pois não é o padrão que a gente trabalha. Mas nós vamos rastrear isso, é função da Vigilância Sanitária, ela rastreia tudo” disse.

 

O secretário disse ainda que todo caso de internação em hospitais com quadro gripal ou qualquer sintoma que indique contaminação por coronavírus, é imediatamente comunicado aos órgãos competentes para que sejam feitos os testes.

 

“Como há essa dúvida, a equipe da Vigilância vai avaliar isso agora. Eu orientei para verificar esses atestados de óbito”, falou.

 

Ainda segundo o boletim de ocorrência, os corpos teriam vindo das cidades de Contagem, Betim, Matozinhos e Sete Lagoas, e também um caso do Hospital Militar de Belo Horizonte.

A reportagem do G1 conversou com o gerente da funerária. Sérgio José da Silva deu números diferentes do que estão no registro da PM.

 

“Na realidade foram 32 óbitos, em 72 horas, por algum tipo de insuficiência respiratória. Apenas um caso de Betim foi diagnosticado como coronavírus”, explicou o funcionário.

 

O presidente do Sindicato das Empresas Funerárias e Congêneres na Prestação de Serviços Similares do Estado de Minas Gerais (Sindinef), Daniel Luiz Santos Gonçalves Pereirinha, afirmou que o número de óbitos registrou aumento, mas que medidas estão sendo adotadas para combater uma possível subnotificação de casos.

 

“A situação está mudando muito rápido e as empresas já estão adotando protocolos de prevenção no manuseio de todos os óbitos, orientadas pelo sindicato. Nossa referência para o trabalho é a causa mortis informada na declaração de óbito, por isso é importante colocar o nome codiv-19, quando for o caso, para que adotemos protocolos específicos e evitar a subnotificação de casos”, destacou.

 

Já o Grupo Zelo, que administra a funerária da Nova Gameleira, informou que todos os atendimentos recebidos pela funerária estão dentro da normalidade. E diferentemente do que disse o gerente, não houve comunicação de nenhum caso de coronavírus confirmado pelos hospitais.

De acordo com boletim divulgado pelo governo nesta segunda-feira (23), Minas Gerais tem 128 casos confirmados de coronavírus, sendo 60 em Belo Horizonte. Em entrevista, o secretário de Saúde disse que o estado ainda investiga 20 mortes suspeitas do coronavírus. E outros 20 pacientes estão internados em estado grave.

Na mesma entrevista coletiva virtual, na tarde desta segunda-feira (23), o governador Romeu Zema (Novo) respondeu a uma pergunta que dizia sobre 41 corpos em 72 horas em uma funerária. Segundo o governador, "parece que alguém pegou e dado e vazou", desacreditando qualquer credibilidade na informação.

Ainda de acordo com Zema, a Região Metropolitana de Belo Horizonte tem, diariamente em épocas de normalidade, 150 velórios por dia. E, portanto, o número de 41 corpos em três dias está totalmente dentro da normalidade.

 

"Querer colocar como furo de reportagem o que não se confirma estatisticamente é fazer notícia onde não tem", criticou.
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