A disponibilidade de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é a maior preocupação no combate à Covid-19 em Minas Gerais. Segundo um novo estudo técnico feito por pesquisadores do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em uma projeção otimista de que 1% da população mineira estaria infectada com o novo coronavírus em seis meses, haveria comprometimento da oferta dos leitos nas macrorregiões Central, Jequitinhonha, Nordeste, Sul e Triângulo Norte, representando 36% das macrorregiões de saúde. Já em um cenário menos otimista, em que a taxa de 1% seria alcançada em três meses, 12 das 14 macrorregiões estariam operando muito além de sua capacidade de atendimento. No último caso, se a curva não se achatar e 1% da população se infectar em um mês, nenhuma macrorregião seria capaz de ofertar cuidado a todos os pacientes mais graves pela Covid-19.
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O trabalho apresentou os cenários da capacidade de absorção de demandas hospitalares no Estado em atendimentos a pacientes com Covid-19 e foi feito baseado na oferta de leitos existentes em dezembro do ano passado. A nota técnica divulgada nesse domingo (5) é o primeiro estudo realizado exclusivamente para Minas Gerais e avalia com mais detalhe a situação de cada região do Estado em relação aos serviços analisados para o enfrentamento da Covid-19.
Para quase todos os cenários analisados, a oferta de leitos gerais seria suficiente para atender os pacientes em praticamente todas as microrregiões do Estado, com a sobrecarga iniciando se a taxa de contaminação alcançasse 1% da população em três meses. Nesse cenário, seis das 90 microrregiões teriam sua capacidade de atendimento comprometida. Se a mesma taxa fosse alcançada em apenas um mês, no entanto, 36% das microrregiões de saúde estariam operando além de sua capacidade.
O levantamento também projetou situações de longo prazo na ausência de políticas para diminuir a difusão de pacientes acometidos com a doença e de medicamentos eficazes para o tratamento. No caso de leitos hospitalares gerais, o sistema de saúde conseguiria responder à demanda na maior parte das microrregiões de saúde se a taxa de infecção atingisse 10% em um período de 12 meses. Nesse cenário, 27 microrregiões, o equivalente a 30% das 90 no total, teriam sua oferta de leitos gerais comprometida. Se a taxa de infecção alcançasse 20% nesse mesmo período, 73% das microrregiões estariam operando além de sua capacidade, ou seja, superariam 100% dos leitos disponíveis.
Se a expansão dos casos de pacientes acometidos com a Covid-19 ocorrer de forma mais acelerada em Minas Gerais, a situação é ainda mais delicada. Considerando um período de seis meses, o total de microrregiões que teriam a sua oferta de internações em leitos gerais comprometida seria igual a 65 se taxa de infecção alcançar 10%. Se a taxa de infecção atingisse 20% nesse período, todas as microrregiões superariam sua capacidade de atendimento.
Respiradores
Se a o cenário para as Unidades de Tratamento Intensivo preocupa, a disponibilidade de aparelhos de ventilação assistida, conhecidos como respiradores, tranquiliza. De acordo com o estudo da Cedeplar, considerando o cenário mais pessimista (de 1% da população infectada em um mês), apenas a macrorregião do Jequitinhonha não teria condições de atender toda a demanda adicional gerada pelo novo coronavírus. Para os demais cenários, todas as macrorregiões teriam oferta suficiente para atender os pacientes mais graves decorrentes da pandemia. Em 2019, o Estado contava com 6.327 aparelhos, sendo a maioria (75%) disponível para o SUS.
Distância
Os pesquisadores da Cedeplar apontaram que 156 municípios mineiros podem apresentar dificuldades de acesso para os pacientes que precisariam percorrer uma distância média superior a 120km para conseguir atendimento em leito UTI em hospital localizado na própria macrorregião de residência. No Estado, a média dessa distância é de 85 km e alcança 420km no caso de Santo Antônio do Jacinto, localizado na macrorregião Nordeste.
Se o paciente puder ser atendido em qualquer outra macrorregião do Estado, em comparação ao cenário de deslocamento do paciente para dentro da mesma macro, a distância média mínima a ser percorrida cai de 85 km para 77 km. Nesse caso, o número de munícipios em que a distância mínima percorrida seria superior a 120 km cairia de 156 (18%) para 136 municípios (16%).
Incertezas
Por entender que há a possibilidade de subnotificações de casos confirmados e óbitos e a duração da pandemia, os pesquisadores realizaram várias projeções no Estado. “Dessa forma, aumentamos o grau de incerteza dos nossos resultados para lidar com o desconhecimento sobre a trajetória real da taxa de infecção, os níveis que ela alcançará no futuro e seu tempo de duração em cada área geográfica. À medida que forem ampliados a testagem e divulgação dos seus resultados, as estimativas de taxas de contágios poderão ser aprimoradas e permitir reduzir as incertezas relacionadas à modelagem proposta nessa nota. Adotamos o pressuposto de que as taxas específicas por idade de internações hospitalares geral e UTI por Covid-19 no Brasil e em Minas Gerais serão exatamente iguais às norte-americanas, tanto em relação ao seu nível quanto em relação à sua estrutura por idade. Esse pressuposto será aceitável quanto mais similares forem os padrões de utilização de serviços de saúde nos dois países durante a pandemia”, ressalta o estudo.
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