Equipes de brigadistas do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMbio) trabalham com ações preventivas contra incêndios no Parque Nacional da Serra da Canastra, durante o período de pandemia do novo coronavírus. O clima seco que inicia nos próximos meses favorece as queimadas na região. O local está fechado desde o dia 17 de março como medida de prevenção à Covid-19.
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O Parque Nacional da Serra da Canastra tem aproximadamente 200 mil hectares. Em 2019, 32 mil hectares foram atingidos pelo fogo, segundo a gerência do local. Desde 2017, a equipe do parque tem tentado evitar incêndios com a "queima controlada" – um método usado para prevenir o fogo que devasta a vegetação natural da região.
Segundo a analista ambiental e gerente do fogo, Bianca Zorzi Tizianel, o momento é propício para aplicação do método, já que a unidade segue fechada.
"A gente aproveitou esse momento de unidade de conservação fechada para conservação, justamente para intensificar as queimas controladas. A gente continua fazendo rondas no parque como um todo e nosso trabalho de prevenção de queima aumentou nesse momento”, explicou.
Queima controlada
Ainda de acordo com a gerência do parque, vários fatores influenciam para a eficácia da "queima controlada", que tem sido realizada na região. O dia considerado ideal para a realização do trabalho é muito específico.
A chuva é um fator importante para evitar incêndios, mas atrapalha o trabalho preventivo, segundo o chefe do parque, Fernando Tizianel. Para ele, o ideal é que haja um pouco de sol e que não tenha chovido pelo menos nos últimos dois dias antes do trabalho preventivo.
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Anualmente a vegetação na Serra da Canastra é devastada por incêndios — Foto: Welder Rafael/Arquivo Pessoal
Ainda segundo Fernando, o vento também pode ajudar ou atrapalhar o processo. A temperatura ideal para a realização do trabalho é entre 23 e 26º. Toda a área do parque é monitorada via satélite. O objetivo do trabalho é queimar o capim seco, que poderia ser atingido por incêndios de grandes proporções. Esse tipo de vegetação pode espalhar chamas para as áreas que não podem ser atingidas, como as matas preservadas.
A intenção é sempre evitar incêndios descontrolados, que são danosos à vegetação. "O que a gente faz é tentar ter uma retomada desse fogo natural, usando o fogo bom na época mais úmida do ano, que não prejudica tanto a vegetação e ao mesmo tempo ele consome o capim seco. Quando a gente chegar no mês de agosto e setembro, na época seca, se por acaso ocorrer um incêndio, ele não vai atingir o que foi queimado no começo do ano", relatou Thaís.
Por isso, a ambientalista reforça a importância das barreiras já queimadas, que protegem lugares mais sensíveis como as matas, as nascentes e os ninhos de alguns animais.
O trabalho é feito por brigadistas que utilizam equipamentos específicos para a queimada controlada. O "pinga fogo", como é chamado o equipamento, forma as chamas com a aplicação da mistura de diesel e gasolina. Para o controle são usados abafadores, sopradores de folhas e a bombas costais com água.
“A gente avalia a condição da temperatura e os locais onde vamos apagar as chamas. Tem um limite e por isso a gente avalia antes se é viável ou não. A gente utiliza da barreira natural para facilitar, como um campo rupestre, algum córrego, alguma área mais alagada. Tudo isso ajuda no combate”, exemplificou o chefe de esquadrão de brigadistas, Marcel Oliveira Bruno.
De acordo com o chefe do parque, Fernando Tizianel, ainda não há previsão de quando o local será reaberto para visitação. A intenção é que quando o local for liberado, a natureza esteja protegida e preparada para receber os turistas.
Parque fechado
A visitação ao Parque Nacional da Serra da Canastra, com uma das entradas em São Roque de Minas, foi suspensa em março. A recomendação partiu do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que em uma rede social disse na ocasião, que todos os parques nacionais de conservação teriam que interromper o funcionamento em precaução ao avanço do novo coronavírus.
De acordo com Fernando, diante de qualquer alteração na medida, seja de redução ou prorrogação do prazo, a unidade irá informar ao público e à imprensa.
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