Aos pés da Serra da Canastra, tem uma cidade onde o queijo é assunto sério. São Roque de Minas é o coração do queijo Canastra, um dos mais premiados do mundo, com medalhas até no concurso francês Mondial du Fromage.

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E o melhor pra quem visita: as fazendas abrem as porteiras. Dá pra acompanhar o queijo nascer, da ordenha da vaca até a prova na tábua, com café mineiro e prosa de quem faz aquilo há gerações.

Como chegar a São Roque de Minas

A cidade fica no sudoeste mineiro e é a principal porta de entrada da Serra da Canastra. De Belo Horizonte, são cerca de 350 km pela MG-050, em torno de 5h de carro.

Mesa rústica de madeira forrada com toalha xadrez vermelha e branca na varanda de uma fazenda. No centro, um queijo Canastra amarelo e consistente em uma tábua, com uma fatia cortada, acompanhado de uma caneca de café e um copo pequeno, tendo os grandes paredões rochosos da Serra da Canastra ao fundo.

A experiência genuína da culinária mineira: degustar o tradicional queijo Canastra meia cura harmonizado com café fresco, diante das paisagens imponentes da serra.

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Quem vem do Triângulo Mineiro tem trajetos mais curtos, como os 141 km a partir de Araxá. A locomoção dentro da região pede carro próprio, já que as fazendas e cachoeiras ficam espalhadas pela zona rural, boa parte em estradas de terra. Vale planejar o roteiro com calma.

Por que o queijo Canastra é tão especial

O Canastra não é um queijo qualquer. Ele é feito com leite cru, coalho, sal e o “pingo”, um soro fermentado que funciona como fermento natural e passa de geração em geração em cada fazenda.

É esse conjunto, somado ao clima da serra, ao pasto e ao jeito manual de trabalhar, que dá ao queijo um sabor único. Cada queijaria tem o próprio perfil, então o mesmo Canastra muda de gosto de fazenda pra fazenda. Não à toa, ele é reconhecido como patrimônio cultural do Brasil pelo IPHAN, e o modo de fazer entrou na lista da UNESCO.

As fazendas que abrem pra visita

Aqui está o ponto alto do passeio. São Roque de Minas é a cidade com o maior número de produtores da região, e várias fazendas recebem turistas, muitas a poucos quilômetros do centro.

Em fazendas como a Roça da Cidade e a Capão Grande, o visitante faz um tour pela propriedade, conhece o curral, a sala de produção e a maturação, e fecha com a degustação. A receptividade mineira é parte da experiência: costuma vir acompanhada de cafezinho, doce e prosa boa com a família produtora.

Como funciona a visita e a degustação

A maioria das visitas é um tour leve e guiado, que dura cerca de uma hora a uma hora e meia. Você acompanha as etapas do processo e termina provando os diferentes tipos, do queijo mais fresco ao bem maturado.

Algumas fazendas oferecem extras, como harmonização com café, cachaça ou até cervejas artesanais, e a chance de fazer o próprio queijo pra levar pra casa. Vale agendar antes, principalmente pra grupos, porque muitas propriedades pedem reserva. E quase sempre dá pra comprar o queijo direto do produtor, fresquinho.

O que mais fazer na Serra da Canastra

São Roque não é só queijo. A cidade é a porta de entrada do Parque Nacional da Serra da Canastra, com a portaria principal a poucos quilômetros do centro.

Lá dentro estão alguns dos cartões-postais mais bonitos do Brasil, como a nascente do Rio São Francisco e a imponente Cachoeira Casca d’Anta, com 186 metros de queda. Dá pra emendar um dia de queijo com um dia de trilha e cachoeira. A melhor época pra isso é a seca, de maio a agosto, quando as estradas de terra estão firmes.

São Roque de Minas é daqueles lugares onde a comida vira viagem e a tradição se prova na boca. E se você curte roteiro mineiro com gastronomia de raiz, vale conhecer também Tiradentes, cidade histórica famosa pelos doces caseiros e pela alta cozinha mineira.