A quarentena está unindo avós e netos pela tecnologia. Quem não era muito conectado está aprendendo a lidar com o meio virtual para driblar a distância física.
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Assim é a nova realidade das avós Maria Helena Vieira e Maria Aparecida Pereira, ao G1 elas contaram como tem feito para manter contato com os netos que moram em Divinópolis e Itapecerica. A reportagem também ouviu as dicas da psicóloga Danúbia Silva, sobre isolamento social e a relação entre famílias.
Saudade
Há pouco mais de quatro meses sem ver pessoalmente o neto Máximus, de 1 ano, que mora em Divinópolis, a avó Maria Helena contou como se adaptou a nova realidade. Ela mora em Lagoa da Prata, e tinha uma rotina de ver o neto pessoalmente a cada 15 dias.
"Essa pandemia pegou a gente de surpresa. O Máximus é a minha vida, e como veio esse coronavírus tem sido difícil. Eu amo meu neto, ele é meu primeiro e até então, único neto. A tecnologia ajuda demais. Para mim ,o celular agora tem sido tudo, por que eu não estou vendo ele pessoalmente, mas meu coração fica com ele e fazemos chamada de vídeo pelo menos três vezes por dia. Minha filha Vanessa me liga ou eu ligo pra ver eles", contou
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As chamadas de vídeo são o recurso usado por Maria para ver o neto Máximus — Foto: Vanessa Vieira/ Arquivo Pessoal
Maria contou também que inicialmente, teve receio que a quarentena atrapalhasse o laço afetivo que ela tem com o neto.
"Meu maior medo era dele esquecer de mim, ele esquecer da avó. Tenho muito amor por ele, muito mesmo. Então a minha filha faz a chamada de vídeo, ele me olha as vezes ele tá lá brincando e eu fico vendo, vejo ele almoçar, vejo o banho dele, acompanho tudo. Quando ele dorme eu também ligo pra poder ver ele dormindo. Não estou lá, mas estou próxima com meu coração. Estamos tendo que reaprender a viver. Tem dias que ela as vezes demora a mandar algo dele e eu já mando pra ela perguntando cadê o meu neto", comentou.
Ao G1, a filha da Maria Helena, Vanessa Vieira, que é mãe do pequeno Máximus, também comentou como a relação da família ficou.
"Fazemos chamada de vídeo todos os dias com a minha mãe, por que infelizmente não podemos ir e nem ela pode vir. A saudade aperta, até pelo fato de já morarmos em outra cidade da dela. Antes da pandemia já fazia algum tempo que não íamos a Lagoa da Prata e nem em Piumhi, onde moram os meus sogros, e para matar um pouco dessa saudade é por chamada de vídeo mesmo. Gravo vídeo e envio pra eles, infelizmente não temos nem ideia de quando tudo isso voltará ao normal", completou.
Tecnologia
Maria Aparecida Pereira tem dois netos, um deles, é o João Pedro de apenas 7 meses. Ela mora em Divinópolis e o netinho em Itapecerica. Desde o nascimento de João, a avó ia uma vez por semana visitar ele. Com o início da pandemia essa rotina mudou, as visitas presenciais deram lugar às chamadas de vídeo.
"É até difícil colocarmos em palavras o que estamos sentindo neste momento. Porque a gente espera tanto pela chegada dos netinhos da gente. Um dos meus netos mora em Itapecerica, e a saudade é demais. Não posso ir ver, e antes eu estava lá visitado eles toda a semana. Agora, ter que ficar longe dele é ruim. As chamadas de vídeo é que estão salvando, nos dar um certo alívio, ele ouve minha voz e eu o vejo. Pelo menos isso, para que eles não se afastem da gente”, contou.
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Maria Aparecida em chamada de vídeo com o neto João Pedro — Foto: Karenina Chelmy/ Arquivo Pessoal
Ainda segundo Maria, ela espera que todo esse momento passe logo e que pelo menos, ela possa voltar a pegar no colo o neto.
“O telefone ajuda, mas já não vejo a hora é de pegar ele no colo, de ver ele, tocar. Amo meus netos, faço chamadas de vídeo umas três vezes ao dia, a vontade é de ficar vendo eles o tempo todo. Tem horas que ficamos horas e horas olhando a tela do celular para ver todas as reações deles” finalizou Maria Aparecida.
A mãe do pequeno João Pedro, Karenina Pereira, também conversou com nossa reportagem sobre como tem lidado com a pandemia e o distanciamento familiar.
"Neste tempo de pandemia, algo que ficou muito sentindo por nós, por mim, pelo meu marido, é realmente o distanciamento social da família. Uma vez que nossos pais residem em cidades diferentes e bem opostas, minha mãe mora em Divinópolis e meus sogros em Bom Jesus da Penha, tem também a filha do meu marido de outro relacionamento, a Maria Júlia, mora em Barão de Cocais. Então, estamos todos em lados opostos. E para tentar diminuir a saudade, a angústia que ficamos por estar longe, utilizamos o celular, as chamadas de vídeo, uma vez que a tecnologia nos possibilita isso, pela tela do celular acaba que nossos pais e a gente pode ter esse contato"finalizou.
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Maria e o neto João Pedro, registro antes da pandemia — Foto: Karenina Pereira/ Arquivo Pessoal
Relação família e isolamento social
De acordo com a psicóloga Danúbia Silva, o isolamento social trouxe para todas as pessoas uma necessidade de reinvenção e, acima de tudo, de mudanças psicológicas. E é preciso ter atenção, principalmente, com as pessoas idosas.
"O ser humano não foi feito para viver sozinho, precisamos sim uns dos outros. E nesse momento em que nos vemos na condição de um isolamento social por causa de uma doença, é que a gente percebe ainda mais o quanto precisamos de companhia. Dentro disso, vemos que as pessoas tem buscado alternativas para se manter sempre em contato com aqueles que amam, e isso é importante até mesmo para as pessoas idosas, por que o idoso ele tem uma maior necessidade de atenção, de carinho", acrescentou Silva.
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