Divinópolis

Vereador denuncia que vítima de infarto foi levada para ala de Covid-19 da UPA em Divinópolis

Foto: Reprodução/Instagram

Após denúncia realizada neste domingo (2), de que um paciente atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com sintomas de infarto, foi encaminhado para a ala de Covid-19 sem teste positivo para doença, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, e o vereador Flávio Marra (Patriota), que acolheu a denúncia da família, foram até a UPA nesta segunda-feira (3) para apurar se houve erro na equipe.

A família do paciente informou que foi impedida de velar o corpo dele, porque o atestado de óbito, que consta a causa da morte como infarto, foi assinado por uma médica da ala de Covid-19.

O caso ainda não foi esclarecido, porque o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS), que administra a UPA, emitiu uma nota, onde nega que tenha ocorrido erro da equipe. No entanto, ao visitar o local, o prefeito disse que conversou com uma funcionária e ela admitiu que ocorreu uma falha.

 

"Desde sábado a população vem me procurando e eu hoje quis averiguar o que aconteceu. A própria funcionária da UPA assumiu que teve um erro e que esse divinopolitano não pôde ser velado por conta desse erro da UPA", destacou o prefeito.

 

 

CPI

 

Em entrevista ao MG1 desta segunda-feira (3) o vereador Flávio Marra falou sobre a possível abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar este e outros casos de pacientes que tiveram informações no obituário trocadas.

 

 

"Vamos pedir ao presidente da Câmara que instaure uma CPI para averiguarmos, não só esse caso, mas, como tantos outros que vem acontecendo. Às vezes, o paciente morre de infarto, derrame, como aconteceu, e passa pela ala de Covid. Isso faz com que a família não tenha o direito e fazer o velório, como aconteceu no sábado", destacou o vereador.

 

Em contato com a assessoria da Câmara, o G1 foi informado que ainda não há solicitação de abertura de CPI no Legislativo sobre o assunto.

 

Entenda o caso

 

Em vídeo divulgado no Facebook, o vereador Flávio Marra contou que uma família denunciou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por transferir o familiar que morreu de infarto para a ala Covid-19. O vídeo foi divulgado neste domingo (2) no perfil do parlamentar, mas gravado na tarde de sábado (1º). A Prefeitura de Divinópolis divulgou uma nota sobre o assunto (veja a íntegra abaixo).

 

Denúncia

 

100%

Segundo informações do vídeo, corpo da vítima não pode ser velado — Foto: Reprodução/Facebook

 

No vídeo, o vereador mostra um documento que afirma ser o atestado de óbito onde está a informação que a vítima morreu de infarto, não de Covid-19. Contudo, uma funcionária da UPA lê o documento e afirma que uma médica da ala do Centro de Tratamento Intensivo (CTI) Covid-19 assinou o atestado. A causa da morte foi confirmada por outra funcionária do local em conversa com o parlamentar.

Um amigo da família conta que foi chamado para ajudar a liberar o corpo. "Cheguei à UPA às 3h para liberar o corpo a pedido da família, mas saí daqui às 13h45 de sábado. Eles demoraram quase três horas para liberar o corpo", explicou o amigo no vídeo.

Um funcionário do Serviço Municipal do Luto disse que chegou para buscar o corpo da vítima na ala de outros tipos de mortes, mas que o corpo não estava no local e sim na ala Covid, ensacado. "Se estivesse na sala normal, já teria sido levado para o cemitério para velar o corpo. Por conta desse erro, não será possível fazer o velório, pois já está perto de completar 24h do óbito", explicou o servidor que não é identificado no vídeo.

Ao ser questionada como a vítima deu entrada na UPA, a irmã contou que ele foi levado de carro pelo marido e outro irmão, e não de ambulância.

 

"Ele foi internado uma semana antes com infarto, foi feito um exame de Covid-19 que deu negativo. Na sexta (30) ele voltou pra UPA e foi internado por volta das 21h, morrendo às 3h de sábado (1º)", explicou o amigo da família.

 

O grupo tentou que a vítima não fosse enterrada diretamente sem velório, mas o funcionário do Serviço de Luto disse que não era possível, que os coveiros já estavam esperando o corpo.

No fim do vídeo, o vereador Flávio aparece com a família na entrada do cemitério e afirma que a vítima foi enterrada, além de dizer que irá denunciar a médica da ala Covid-19, que assinou o atestado de óbito, para o Conselho Regional de Medicina.

 

Posicionamento da Prefeitura

 

"A Prefeitura Municipal de Divinópolis vem a público prestar esclarecimentos acerca do ocorrido relatado pelo vídeo divulgado pelo vereador Flávio Marra.

Quanto aos fatos narrados, todas as providências para apuração dos fatos foram imediatamente adotadas, assim que a prefeitura tomou ciência do ocorrido. Foi intensamente cobrado esclarecimentos da atual gestão administrativa da UPA.

Será realizada uma investigação dos acontecimentos, para que todas as falhas sejam identificadas e solucionadas, a fim de que erros como esse não aconteçam novamente.

A Prefeitura de Divinópolis se solidariza à família do falecido".

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