Minas Gerais registrou no primeiro trimestre deste ano, em média, por dia, 17 casos de crianças e adolescentes vítimas de lesão corporal ou maus-tratos, de acordo com a Polícia Civil.

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No mesmo período, foram nove ocorrências de estupro e de estupro de vulnerável, também por dia. A violência geralmente ocorre onde a criança deveria encontrar a proteção: dentro de casa.

Em fevereiro, uma criança de 1 ano e 5 meses morreu vítima de agressão na Unidade de Pronto Atendimento Leste, em Belo Horizonte. Os suspeitos do crime são os pais, que foram presos. O boletim de ocorrência diz que o bebê tinha hematomas na cabeça, peito e fratura na perna.

Em abril, a denúncia do espancamento de uma criança de 4 anos, no bairro Nova Gameleira, na Região Oeste, levou à prisão de um homem que sequestrou e estuprou a própria filha, de 15 anos, com quem teve um filho. É uma relação envolvendo ameaças, tortura psicológica e estupros.

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No domingo (16), o corpo da menina Ana Paula, de 6 anos, foi encontrado dentro de um rio em Unaí, na Região Noroeste de Minas Gerais. Ela estava desaparecida desde o dia 13 de maio e o padrasto foi detido suspeito de ter matado a criança.

 

Em Betim, na Grande BH, a polícia concluiu o inquérito sobre as agressões sofridas por uma menina de 2 anos, nesta segunda-feira (18). O padrasto e a mãe da menina foram indiciados. Segundo a polícia, Fhelippe Emanuel tentou matar a enteada por ciúmes da relação de mãe e filha. Ele está preso desde o fim do mês passado.

 

"A ação teria iniciado no dia 25 de abril, na madrugada, quando a criança de dois anos amanheceu com diversas lesões gravíssimas como queimadura na orelha, algumas partes do cabelo arrancada em duas partes da cabeça, mordidas nas nádegas, lesões no pescoço, rosto e nas costas", conta a delegada Ariadne Elloise Coelho.

 

 

Já a mãe deve responder o processo em liberdade, por omissão.

 

"A mãe dela tinha o dever, poderia ter agido já nesse dia 25 com essa tortura praticada contra a filha dela. Porém, ela não agiu com receio de ser presa. Essa omissão dela foi extremamente relevante e se ela tivesse agido não teríamos estado mais gravoso no dia 26, que quase culminou na morte da criança de dois anos de idade", completa Ariadne.

 

A criança está aos cuidados do avô paterno, em Goiás.

"Desde o primeiro instante eu confiava no trabalho da polícia, no Poder Judiciário que eles iam chegar até o autor desse acontecido, o mais rápido possível pra dar resposta pra população", fala o avô paterno da vítima, Michael Alves de Oliveira.

 

Resposta que é possível graças à atenção aos sinais.

 

"A criança, ela apresenta sintomas de apatia, falta de alegria, não quer ir à escola, não quer tomar banho, não quer que toque nela. Ela apresenta vários sintomas. Por que a criança não fala? Porque ela esta sendo ameaçada pelo agressor", diz a desembargadora Valéria Rodrigues Queiroz.

 

 

Em Belo Horizonte, existem 46 unidades de acolhimento de crianças e adolescentes.

"É importante que a gente perceba a necessidade de atuação de acordo com a gravidade da situação. O caso grave, no caso que é necessária intervenção, às vezes da policia ou da rede de saúde, quando de urgência, é necessário que seja acionada própria rede. Esses órgãos também acionam e atuam com o Conselho Tutelar em uma atuação em conjunto", fala Thiago Alves, subsecretário de Direitos de Cidadania da Prefeitura de Belo Horizonte.

Ainda segundo o secretário, o número de denúncias feitas caíram durante a pandemia.

 

"A gente percebe que houve uma redução das notificações de violência contra criança e adolescente, não necessariamente significa que nossas crianças estão mais protegidas, que houve uma redução da violência, o que nos traz maior necessidade do alerta desse olhar cuidadoso e olhar de proteção pra que a gente possa verificar o que está acontecendo dentro da nossa própria casa às vezes".

 

"O que não podemos é não fazer nada. Temos, sim, que ouvir as crianças e tomar atitudes e não esperar que elas morram porque omissão é crime", completa a desembargadora Valéria Rodrigues Queiroz.