O Lago de Furnas, especialmente na região de Capitólio, que recentemente foi considerado um novo e importante destino turístico nacional – sendo classificado pela revista Náutica como um dos dez lugares mais bonitos do Brasil para se navegar –, está sendo invadido por uma espécie de turista que pode comprometê-lo: o que faz práticas predatórias. E o risco dessa ameaça se concretizar muito rapidamente é grave, principalmente por causa da internet, com suas redes sociais e blogs especializados em turismo, pois, da mesma forma que “cria” um destino, contribui – também - para exterminá-lo.
Além da ocupação desenfreada e sem qualquer controle das fontes, cachoeiras e minas, já há a instalação de “bares flutuantes” no lago, sem qualquer licença sanitária ou legal. Fora isso, que já resulta em prejuízos imensos à natureza, há também a ocupação de “feirantes” e “ambulantes” às margens da MG-050, que, além de colocar em risco a vida de pedestres e de motoristas, também promove forte concorrência desleal com os comerciantes estabelecidos, especialmente na região do Turvo.
O turismo predatório tem provocado o aparecimento de um fenômeno também interessante: o de transformar Passos em uma “cidade dormitório”. Os ônibus e vans com turistas de várias partes do Brasil ocupam os hotéis nos fins de semana ou feriados prolongados apenas para pernoitarem, pagando diárias bem baixas, e saindo cedo para os pontos turísticos daquela região. E o pior: pagam diárias na cidade de Passos a preços bem reduzidos, e acabam sendo obrigados a arcar com altos custos em alimentação, em locais que – na maioria das vezes - não têm estrutura para oferecê-la com o mínimo de condições sanitárias.
A Folha da Manhã ouviu várias fontes envolvidas nessa questão e traz, a partir de hoje, uma série especial sobre o Lago de Furnas: Destino Ameaçado, que será dividido em várias matérias durante a semana. Entrevistamos representantes da população, polícia rodoviária, comerciantes legalmente estabelecidos da região do Lago e hoteleiros, entre outros, com vistas a obter mais informações e ouvi-los sobre o que pensam da situação e o que cada um tem feito para sanar ou diminuir o impacto dessa colossal invasão, que só aumenta dia a dia de forma drástica e destruidora.
Nossa primeira reportagem é com a procuradora do Ministério Público Federal em Passos (MPF), Flávia Cristina Tavares Torres, que revelou o que de fato o MPF vem fazendo em torno dessa questão. Para a procuradora, é preciso unir forças entre todos os setores.
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