A Comissão Especial que analisa o projeto que muda a regulação dos agrotóxicos teve uma falsa ameaça de bomba na Câmara dos Deputados na manhã desta quarta-feira. Uma pessoa ainda não identificada deixou uma pasta embaixo das últimas cadeiras do espaço onde acontecia a reunião.
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O dispositivo na mala começou a apitar pouco antes da discussão do projeto começar. A segurança da Câmara dos Deputados retirou o objeto do local rapidamente, e a reunião prosseguiu. Aproximadamente uma hora após o início dos trabalhos, a presidente da Comissão, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), falou aos presentes que o objeto se tratava de uma imitação de bomba. O artefato simulava um um explosivo real, inclusive com acionamento por controle remoto.
— Aconteceu um fato muito grave nessa comissão. Deixaram uma mala nessa sala, e ela continha uma simulação de bomba. A Polícia Legislativa vai abrir uma sindicância. Já temos imagem da pessoa que deixou — disse Tereza.
Segundo seguranças da Câmara, o objeto funcionava como uma bomba normal, mas não tinha componentes explosivos. Em anonimato, um deles defendeu um maior controle das pessoas que entram na Câmara, principalmente as acompanhadas por autoridades.
É preciso deixar a segurança fazer a função dela. O político faz política. O segurança tem que fazer o trabalho dele — afirmou o servidor da Câmara.
Após informar sobre a falsa ameaça, a presidente Tereza Cristina suspendeu a reunião para que os deputados pudessem dar seguimento à ordem do dia no Plenário Ulysses Guimarães. A Comissão Especial discute o Projeto de Lei 6299/02, que flexibiliza a aplicação e a fiscalização de agrotóxicos. Governo e oposição têm travado embates na tramitação do polêmico projeto.
A oposição conseguiu adiar por quatro vezes a votação do projeto, evitando assim que ele siga para o plenário. Os deputados contrários ao texto têm o apoio de intelectuais, de órgãos públicos como a Anvisa e entidades como o Instituto Nacional do Câncer. Também há rejeição ao projeto dentro do Ministério da Saúde e do Ministério do Meio Ambiente.
O relatório do deputado Luiz Nishimori (PR-PR) prevê, entre outros pontos, que os defensivos possam ser liberados pelo Ministério da Agricultura mesmo se órgãos reguladores, como Ibama e Anvisa, não tiverem concluído suas análises. Nesse caso, um registro temporário seria fornecido aos produtores.
Um dos pontos mais polêmicos do projeto, que substitui a expressão "agrotóxicos” por "produtos fitossanitários" ou "produtos de controle ambiental", foi deixado de lado pelo relator.
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