O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) encontrou mais de 500 escorpiões em uma casa localizada em Montes Claros, Norte de Minas Gerais, nesta sexta-feira (13). Os aracnídeos estavam dentro do imóvel e no quintal. Uma mulher de 60 anos mora na residência.
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“Recebemos uma denúncia sobre possíveis focos do mosquito Aedes aegypti. Mas, quando fomos investigar, nos deparamos com essa situação crítica. Temos um servidor na nossa equipe que trabalha há 36 anos no CCZ e afirma nunca ter visto nada do tipo”, fala o coordenador do centro, Flamarion Cardoso.
Segundo Cardoso, a maior parte dos animais peçonhentos foi encontrada em uma porta de madeira e em restos de materiais de construção. Uma das principais formas de evitar o aparecimento e reprodução desse tipo de bicho é manter o local limpo e evitar o acúmulo de materiais.
“Uma casa com essa quantidade de escorpiões acaba causando uma infestação muito maior. Tivemos relatos que os escorpiões estavam aparecendo na casa de vizinhos. A residência oferece as condições favoráveis como, umidade, calor e muito material acumulado”, completa o coordenador do CCZ.
Flamarion Cardoso diz que a moradora afirmou que nunca foi picada e nem sabia que os escorpiões estavam na casa dela. O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) foi chamado para ajudar a mulher.
O G1 entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura que informou que a equipe técnica do CRAS, formada por psicólogos e assistentes sociais, irá visitar a moradora, analisando sua situação e fazendo os encaminhamentos necessários para as redes municipais de Saúde e Assistência Social.
Cuidados com escorpiões devem ser redobrados no verão
“Com as altas temperaturas, os escorpiões saem do abrigo para realizar a reprodução e procurar novos ninhos, os acidentes ocorrem nessa transição”, explica o pediatra Carlos Lopo. Com as chuvas, é ainda mais comum os animais saírem dos locais onde estão.
O médico destaca que o veneno do escorpião oferece maiores riscos para pessoas abaixo dos sete anos e acima dos 65. Segundo o médico, nessas faixas de idade o metabolismo é mais lento. No caso das crianças, a relação entre peso e a quantidade de veneno é um complicador. Já para os idosos, doenças preexistentes, como diabetes e hipertensão, podem agravar a situação.
Carlos Lopo destaca que em casos classificados como leves, o paciente sente apenas dor. “O veneno é neurotóxico, ou seja, afeta o sistema nervoso. Isso quer dizer que se uma pessoa leva uma picada na mão, pode sentir dor até no ombro”, complementa.
Nos casos moderados ou graves, pode haver sintomas como sudorese, palidez, alteração da circulação, vômitos, entre outros. O agravamento do quadro pode levar a edema do pulmão, insuficiência cardíaca, convulsão e derrame.
“Uma vez ferroado, o paciente deve ser levado o mais rápido para a unidade de saúde. Não deve-se passar nada no local, nem fazer torniquete ou cortes, que aumentam as chances de infecção. O soro é utilizado dentro da faixa de risco. Fora dela, avaliamos o quadro para verificar a necessidade”, diz o médico.
As espécies mais comuns na região são a Tityus bahiensis e a Tityus serrulatus, escorpiões preto e amarelo, respectivamente. O último é o mais preocupante, mas o tratamento é o mesmo para ambos.
“É preciso evitar acúmulo de materiais de construção, lixo e mato. Manter os ambientes limpos é a principal medida para evitar acidentes com animais peçonhentos de forma geral”, fala.
Lopo ainda diz que apesar do costume de se criar galinhas, elas têm hábito diurnos, enquanto os escorpiões são noturnos. A aplicação de produtos para o controle desses animais peçonhentos também não é recomendada, já que não provoca morte e pode fazer com que eles deixem os esconderijos, aumentando a chance de acidentes.
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