Desde o ano passado, Monte Verde, na Serra da Mantiqueira, a 1.555 m de altitude, é a localidade mais fria de Minas Gerais, superando Maria da Fé. Segundo o Inmet, em 2025, a temperatura mais baixa registrada foi de -2,9°C, e as mínimas de janeiro a maio ficaram próximas de 0,1°C a 0,4°C. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o distrito de Camanducaia não é apenas o líder no ranking em 2025, registrando -2,9°C no dia 25 de junho, mas mantém as mínimas deste ano. De janeiro a maio, o charmoso vilarejo de apenas 5.000 habitantes registrou 0,1°C, já neste mês de junho, 0,4°C. A tendência é que a temperatura caia ainda mais com o começo oficial do inverno, marcado para 21 de junho.

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Depois de transformar o frio em identidade, Monte Verde vem apostando no ecoturismo e na hospitalidade para atrair novos públicos: muito além dos casais, famílias e aficionados pelo turismo de natureza. Contribuem para essa diversificação os prêmios recebidos nos últimos anos, incluindo o sexto destino mais acolhedor do mundo e o primeiro do Brasil, concedidos por avaliações de viajantes e mídia especializada.

Inverno em Minas

O frio já chegou a Monte Verde: neblina já domina as manhãs e termômetros registram baixas temperaturas - Foto: Move / Divulgação

O “frisson” em torno do destino fez com que Monte Verde fosse escolhido pelo governo de Minas para o lançamento da campanha Inverno em Minas, ocorrido em 28 de maio. A expectativa, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), é que, durante a alta estação, Minas Gerais receba cerca de 6 milhões de turistas; só na época do frio, Monte Verde contribui com 750 mil visitantes. No dia 27/6, o distrito fecha o festival Amor nas Montanhas com show gratuito do cantor Beto Guedes. Eventos como esse e Páscoa nas Montanhas (abril), Bike Fest (agosto), Gastronomia nas Montanhas (setembro) e Natal nas Montanhas (dezembro) têm contribuído para combater a sazonalidade.

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“Hoje só não temos eventos em dois meses do ano, fevereiro e março”, destaca o secretário Municipal de Turismo, Leandro Schultz. Para discutir a sazonalidade, a localidade sediou, no ano passado, a Feira Nacional de Destinos Turísticos de Inverno, reunindo representantes de diversas regiões brasileiras de clima frio para promover intercâmbio de experiências, políticas públicas, inovação, governança e ações voltadas para o turismo sustentável. Mas esse não é o maior desafio do vilarejo neste momento. O déficit de moradia reflete na escassez de mão-de–obra qualificada, problema comum a diversos pontos turísticos brasileiros, mas que aqui ganha contornos mais dramáticos.

Além de casais, Monte Verde tem recebido muitas famílias com filhos e aficionados pelo ecoturismo - Foto: Move / Divulgação

“A cidade não pode crescer mais”, alerta o secretário. Hoje, as – conhecida pelas produções editoriais –  conta com aproximadamente 152 milhões de m² entre as cidades de Caieiras, Bragança Paulista (SP) e Camanducaia (MG), dos quais 49% são destinados à preservação ambiental. No entorno de Monte Verde, está a Fazenda Levantina, com  112.942.700 m², dos quais 65.817.500 m² são voltados à preservação, incluindo a Reserva Particular Patrimônio Natural – RPPN Parque Levantina, com 23 milhões de m², onde se localizam  atrativos turísticos como o Pico da Onça, a Pedra Partida e Pico do Selado.

Parque temático

Por meio da Altea, a Melhoramentos, desenvolveu um masterplan para a região com o objetivo de orientar o desenvolvimento sustentável de longo prazo das áreas no entorno de Monte Verde. Em parceria com a iniciativa privada pretende construir em 200 mil m² um novo bairro com habitação social com quase 1.500 novas moradias, em parceria com a prefeitura de Camanducaia. Segundo a Melhoramentos, “os eventuais projetos ainda estão em fase de estudo e estruturação, razão pela qual a companhia não detalha iniciativas que não estejam formalmente aprovadas e anunciadas”. No entanto, observa-se que as construções já começaram.

A Avenida Monte Verde, artéria principal que corta o vilarejo ao meio - Foto: Paulo Campos

Com investidores privados, a cidade deve inaugurar em 2027 um novo polo turístico com parque temático na rodovia LMG-886. As obras estão em andamento, com previsão de inauguração no final do primeiro semestre de 2027. Serão 12 atrações para todos os públicos, entre elas trenó de montanha, teleférico, roda-gigante, carrossel, tobogã, jardim botânico, mirante, dois restaurantes, estacionamento, um espaço para eventos e outro para lojas com produtos locais e atividades como tirolesa, tirolesa de bike e escaladas. De acordo com Bruno Rosa, consultor do ex-secretário municipal de turismo, são 132 mil m² pensados para qualquer idade.

Taxa de Preservação

A partir do dia 1º de julho, a Prefeitura de Camanducaia passa a cobrar Taxa de Preservação Ambiental (TPA), criada pela Lei Municipal nº 203/2024. O custo é de R$ 4,60 (motos), R$ 9,20 (carros de passeios), R$ 13,80 (veículos utilitários, como caminhonetes),  R$ 32,20 (vans e veículos de excursão, R$ 46 (micro-ônibus e caminhões) e R$ 73,60 (ônibus). A cobrança será eletrônica e automatizada que registrará a entrada e a saída das imagens dos veículos em tempo real, com as placas capturadas automaticamente ao cruzar o portal de acesso.

Onde se hospedar

Vista do Mirante da Colyna, com o restaurante giratório ao centro: hotel foi eleito o quinto melhor do país pelo site Trip Advisor - Foto: Mirante da Colyna / Divulgação

Monte Verde só perde para a capital mineira e São Thomé das Letras em números de leitos, 10.500, mas é o segundo destino em unidades de habitação (UH), incluindo hotéis, pousadas e casas para locação. Os hotéis capricham na acomodação, com serviços diferenciados e estrutura completa, com lareiras, banheiras, jantares românticos, spa e outros mimos. Nossa dica no vilarejo foi eleito um dos cinco melhores hotéis do país pelos usuários do site Trip Advisor.  O Mirante da Colyna (@mirantedacolynahotelspa) fica localizado na parte mais alta da cidade, cercado de mata araucária e com vista privilegiada do distrito.

A suíte do Mirante da Colyna: espaçosa, confortável, com lareira e banheira de hidromassagem com vista - Foto: Mirante da Colyna / Divulgação

O visitante pode escolher entre 41 lofts entre 30 m² e 100 m² ou 23 chalés. Espaçosos e clean na decoração, muitas unidades possuem banheira de hidromassagem com vista. Nos últimos meses, um retrofit renovou os apartamentos. Integrado ao prédio principal estão spa, salão de jogos, saunas e piscinas climatizadas externa e interna. O proprietário Gustavo Almeida destaca a gastronomia. O café da manhã é inacreditável para os padrões da hotelaria: uma mesa de quitutes e quitandas, do pão de queijo à broa de fubá, do doce de leite ao rocambole, da queijadinha ao alfajor, das geleias aos queijos curados, além de bolos e biscoitos de várias regiões. As diárias para hospedagem estão a partir de R$ 1300 na alta temporada.

Cinco atrativos de inverno em Monte Verde:

Pedra Redonda

Pôr do sol na Pedra Redonda, um dos mirantes naturais mais procurados da região - Foto: Thiago de Lima / Divulgação

O ecoturismo é uma vocação de Monte Verde. Cercado de montanhas, trilhas e cachoeiras, o distrito é um convite à caminhada. Entre os mirantes naturais estão a Pedra Redonda, a Pedra Partida, o Chapéu do Bispo, todos em áreas públicas, e o Pico do Selado e o Platô, em área privada. A dica é visitar a Pedra Redonda com 1.950 metros de altitude, nível intermediário de dificuldade e boa estrutura com passarelas e cordas de apoio. São apenas dois 2 km (ida e volta) ou uma hora e meia de caminhada.

Entre as recomendações para a visitação autoguiada, que acontece em quatro horários determinados (8h, 10h30, 12h30 e 14h30), recomenda-se o uso de calçado adequado, levar água, lanche e sacola de lixo e o respeito às regras. É importante que o visitante também respeite seus limites físicos, porque a trilha exige esforço, inclusive devido às subidas íngremes e ao ar rarefeito. A visitação só pode ser feita com agendamento prévio pelo site Monte Verde, ao custo de R$ 41,90 (inteira).

Desde que foi regularizada a visitação, apenas 600 pessoas por dia podem subir a Pedra Redonda, informa Thiago de Lima, encarregado de operação da trilha. Em dias claros, a vista alcança o litoral paulista e  São José dos Campos. Do alto, contempla-se uma vista 360º da região, com Monte Verde, as pedras Partida, Chapéu do Bispo e São Domingos. Dessa trilha pode-se alcançar a Pedra Partida e o Chapéu do Bispo, trajetos mais difíceis e longos que exigem a presença de guia cadastrado.

IceBar

Interior do IceBar, uma experiência a a -15°C - Foto: Move / Divulgação

Entre as atrações mais curiosas de Monte Verde, o IceBar @icebarmv) é uma experiência diferente em meio ao clima já conhecido da charmosa vila mineira. Localizado na avenida principal do distrito, o espaço proporciona aos visitantes a sensação de estar em um ambiente polar, com temperaturas que chegam a -15°C. É um dos três maiores bares de gelo do país e uma das atrações mais procuradas do inverno.

Construído com gelo cristal, o bar reúne esculturas, como tronos, poltronas, lustres, balcões e até copos feitos de gelo. Antes de entrar, os visitantes recebem equipamentos de proteção contra o frio, como casacos e luvas. A experiência costuma durar cerca de 30 minutos, tempo suficiente para explorar o local, apreciar as esculturas e degustar bebidas servidas em copos congelados. Entrada a R$ 100 (acima de 10 anos e adultos), com duas bebidas incluídas. Meia-entrada para crianças de 0 a 10 anos.

Fábricas de Chocolate

A visitação às fábricas de chocolates é um ótimo programa, principalmente no inverno - Foto: Move / Divulgação

A tradição chocolateira da vila faz parte da identidade local.  O interesse dos visitantes vai muito além da compra de chocolates. Diversas marcas, como Gressoney (@gressoneymv), Mantikau (@mantikauchocolates) e Monte Verde (@chocolateria.monte.verde), abrem suas portas para que turistas possam conhecer os bastidores da produção, observar etapas de fabricação e, claro, degustar especialidades produzidas na região. É o chamado turismo e experiência.

Uma das experiências diferenciadas  é oferecida pela Cocoa Sil, que trabalha com o conceito “bean to bar” (do grão à barra). A produção começa com a seleção das amêndoas de cacau e segue por todas as etapas até a fabricação do chocolate. A Mantikau chama a atenção por produzir o próprio chocolate a partir dos grãos de cacau, oferecendo explicações sobre a fabricação e degustações durante a visita.

Degustação de fondue

Monte Verde é conhecida como a "Suíça Mineira",
portanto, nada como degustar uma receita típica suíça, o fondue - Foto: Move / Divulgação

A influência europeia na arquitetura ajudou a consolidar uma culinária inspirada nos Alpes, onde o fondue se tornou protagonista dos cardápios. Hoje, quase todos os visitantes reservam uma noite para experimentar fondue de queijo, carne ou chocolate, em ambientes acolhedores com lareiras e velas. 

Mais do que um prato, o fondue tornou-se uma atração turística de Monte Verde. A experiência costuma começar com o tradicional fondue de queijo, servido com pães artesanais e acompanhamentos variados. Em seguida, entram as versões de carne, preparadas na pedra quente ou em óleo, e, para finalizar, o irresistível fondue de chocolate com frutas frescas. Entre os estabelecimentos, nossa dica é o restaurante Villa Amarela, que oferece o fondue é o Villa Amarela (@villamarelaboteco).

Restaurante giratório Sierra 360º

O Sierra 360º faz um giro completo em uma hora e dez minutos - Foto: Mirante da Colyna / Divulgação

O restaurante Sierra 360º do Mirante da Colyna já virou um atrativo turístico: o espaço é um dos três únicos giratórios do país. A estrutura faz uma volta completa em aproximadamente uma hora e dez minutos. Segundo Ignácio Izarra, arquiteto responsável pela estrutura, juntamente com Quintino de Almeida, essa é a única com a estrutura em um prédio.

“A proposta é que a pessoa faça sua refeição enquanto interage com a paisagem”, salienta. Para operar a rotação, são utilizados três motores sincronizados para a plataforma funcionar como um deck leve. As pessoas sequer percebem o movimento. Toda a engenhoca é resultado de um trabalho minucioso de cálculo e engenharia.

O nome do restaurante (@sierra360gastronomia) é homenagem a Sierra Jurado Ascanio, avó materna de Luís Gustavo, um dos sócios-proprietários ao lado do irmão Marcos Cesar. Ela migrou da Espanha para o Brasil em 1959, trazendo costumes e tradições. Está lá no cardápio a paella, sua receita original, um prato que carrega memória e afeto.

No cardápio ainda destacam-se saladas, caldos, sopas, carnes, risotos, massas e fondues. Nossa dica é o brie crocante com parma como entrada,  risoto de limão siciliino com salmão como prato principal e pétit gateau de doce de leite como sobremesa. É necessário reserva pelo telefone (35) 99906-3513.

Como chegar a Monte Verde: Pegue a BR–381 (Fernão Dias), no sentido SP, e, 450 km depois, entre em Camanducaia e percorra 30 km até Monte Verde.