Mais de 4 mil galinhas de uma granja de Piumhi morreram de fome desde que iniciou a greve dos caminhoneiros, que nesta quarta-feira (30) completa dez dias.
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Há uma semana, a granja não recebe ração para os animais. As galinhas lutam para sobreviver e, com fome, uma ave até bica a outra.
Desde que começou a faltar a ração, a rotina na granja tem sido a mesma. Os funcionários fazem a vistoria nas gaiolas e encontram muitos animais mortos.
Além de prejudicar o abastecimento do mercado, a morte de galinhas traz riscos para o ambiente e para a saúde pública, já que nem sempre há o que fazer com a carcaça dos animais que apodrecem e contaminam contaminando o solo.
ANIMAIS SACRIFICADOS
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos devem morrer nos próximos cinco dias se não receberem a alimentação adequada, transportada pelos caminhões atualmente parados.
Ainda de acordo com a associação, 64 milhões de aves já foram sacrificadas em razão dos impactos provocados pela greve.
CANIBALISMO
O canibalismo entre aves e suínos é um dos sinais alarmantes da crise de abastecimento causada pela paralisação dos caminhoneiros. Como a ração não tem chegado aos produtores, os animais começam a comer uns aos outros na tentativa de aplacar sua fome.
"As aves estão passando fome, então dispara um mecanismo fisiológico. Elas estão num grupo fechadas e famintas, o que, eventualmente, estimula o canibalismo. Sem nutrientes, a mortandade é cada vez maior", diz Helenice Mazzuco, pesquisadora de aves da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Segundo eles, o tempo para que os animais entrem nesse processo de canibalismo varia de acordo com seu estado fisiológico, nutritivo e com o modelo de produção.
O isolamento dos animais em pequenos espaços impede que eles fujam ou se defendam uns dos outros. No caso das aves, é preciso mais de um dia sem nutrientes para que o canibalismo comece a aparecer.
Nos casos de canibalismo registrados durante esta crise, a explicação é o estresse gerado pela fome dos animais. Mas outros fatores, como doenças e variação brusca de temperatura, também podem desencadear esse comportamento.
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