Um caderno rasgado foi a motivação para que uma adolescente de 15 anos matasse a colega de sala da mesma idade em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, na tarde desta quarta-feira (10). De acordo com a Polícia Militar, a suspeita tem histórico de agressividade e bateu na vítima com um prato, chutes, puxões de cabelo e socos. 

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O crime aconteceu dentro da Escola Estadual Doutor Agostinho da Silva Silveira. Durante as agressões as professoras tentaram separar a briga, mas Maria Aparecida Esteves Otoni já estava desacordada. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para um hospital da cidade, mas morreu na unidade.

O Tenente da Polícia Militar Lívio Louzada contou que as duas adolescentes tinham problemas mentais. "A vítima tinha rasgado o caderno mais cedo e as funcionárias da escola acharam que a situação estava resolvida, mas no recreio a suspeita começou as agressões. Quando chegamos à escola Maria estava já desacordada e a suspeita estava sendo contida pelos funcionários da escola", contou o militar.

Em nota a Secretária de Estado de Educação lamentou o episódio e disse que "a escola está montando uma rede de apoio, para acompanhar o caso e dar os encaminhamentos necessários. A SEE trabalha em toda a sua rede para que a oferta do ensino seja universal e inclusiva, garantindo o acesso ao conhecimento sem nenhuma forma de discriminação, ou seja, todas as escolas estaduais estão aptas a receberem alunos com deficiência", informou.

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A pasta informou ainda que "um representante da Secretaria de Educação está se deslocando para Minas Novas para acompanhar e dar apoio às famílias das envolvidas no caso e aos servidores da escola". 

Maria Aparecida teve traumatismo craniano, o que causou a sua morte no Hospital Badaró Junior. O corpo dela foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Capelinha, na mesma região, ainda na tarde de quarta-feira (10). 

"Antes de morrer a Maria chegou a ter uma crise de epilepsia, mas mesmo assim as agressões continuaram. A menina que matou era agressiva com todo mundo da cidade. Nós estamos assustados demais com o que aconteceu. Nunca imaginamos isso aqui", contou uma moradora que preferiu não se identificar. 

 

Adolescentes têm histórico de violência na família

A suspeito do crime viu o pai matar a mãe dela quando tinha apenas três anos de idade. Depois disso, o homem tentou se matar, mas sobreviveu e atualmente ele está preso. A adolescente morava em um abrigo da prefeitura que presta assistência social a crianças e adolescentes que não podem ficar com as famílias. 

A vítima também chegou a morar neste mesmo abrigo, por causa de confusões familiares, mas atualmente estava reinserida à família. Maria tinha condições financeiras muito baixa e recebia ajuda do governo e da população da cidade. 

"Vale ressaltar que a escola recebeu alguns alunos de um abrigo, entre eles, as alunas envolvidas, que eram acompanhados por uma educadora da Casa Lar. A aluna agredida já tinha sido reintegrada à família. Já a agressora permanecia acolhida na Casa Lar. A escola está montando uma rede de apoio, para acompanhar o caso e dar os encaminhamentos necessários", informou a secretaria.

A suspeita informou aos militares que tinha a intenção de matar Maria Aparecida. "Depois das agressões ela disse que queria mesmo matar a colega. Ela se mostrou bem fria", contou o tenente.

A adolescente foi indiciada por crime análogo a homicídio e foi apresentado a promotoria de Justiça que decidiu pela internação dela. A prefeitura da cidade lamentou o ocorrido.