Uma simples ida ao centro da cidade para comprar um presente e enfeites para a festa de aniversário do filho, que completou 5 anos nesta quinta-feira (22), terminou de forma trágica para a professora Fabiana Filipino Coelho, de 44 anos. Ela morreu após ser atingida por uma bala perdida, disparada por um policial militar reformado que tentou evitar um assalto, na tarde de quarta-feira (21), em Juiz de Fora, na Zona da Mata. Funcionária do Instituto Estadual de Educação (IEE), ela foi enterrada nesta tarde sob bastante comoção de familiares, colegas de trabalho e dezenas de alunos. 

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Hoje em Dia conversou com Adson Franklin, de 41 anos, que é vice-diretor da instituição de ensino. Ele conta que, em luto, a escola não funcionou nesta quinta, porém, ao longo da manhã os funcionários receberam alunos e pais para comunicar o ocorrido. "Os estudantes inclusive fizeram uma passeata daqui (escola) até o local onde ela foi baleada, pedindo o fim da violência", conta. 

Ainda segundo ele, Fabiana estava comprando os presentes do filhinho quando acabou baleada. "Por isso, como forma de homenagem, os alunos compraram vários presentes que serão entregues para a criança assim que for possível. Ela era uma pessoa muito comprometida com o trabalho, dedicada. Os alunos nunca tiveram qualquer reclamação contra ela, todos a adoravam. Estava sempre sorridente, educada. Fará muita falta para todos nós", lembra. 

Nas redes sociais, uma carta aberta assinada pelos alunos e colegas de trabalho de Fabiana destacam que ela era militante "pela cultura da paz" e criticaram a reação do militar, que atirou para tentar evitar que "um celular e uma pequena quantia de dinheiro" fossem levados.

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"O policial que disparou o tiro que atingiu Fabiana, ainda que movido pela melhor das intenções, colocou em risco todas as pessoas que estavam na rua naquele momento. A vítima poderia ter sido qualquer um de nós. Não é por meio de armas e tiros que resolveremos o cenário de violência e guerra civil que assola nosso país. Ainda que o disparo tivesse atingido o jovem que praticou o assalto, a violência não teria sido extirpada da nossa realidade", diz o texto. 

Procurada pela reportagem nesta quinta, a PM de Juiz de Fora informou que o militar, que sofreu um ferimento grave no braço após ser esfaqueado pelo adolescente, segue hospitalizado. A arma usada por ele na hora da confusão foi apreendida. Já a assessoria de imprensa da Polícia Civil (PC) informou apenas que um inquérito foi aberto nesta quinta para apurar o homicídio da professora. 

Homenagens

No Facebook, vários alunos de Fabiana fizeram homenagens emocionantes após a morte. "Sou eternamente grata por tudo, você era uma professora incrível, tinha uma paciência em explicar as coisas. A melhor professora de matemática e seu fusquinha azul. Professora, temos orgulho em falar que fomos seus alunos, uma professora maravilhosa, um ser humano humilde, especial", escreveu uma estudante na rede.